sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

EM BUSCA DA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

Oportuno o pronunciamento da Presidente Dilma sobre Educação, ao ensejo do início do novo ano letivo. A mim, que já trabalhei nesse setor, trouxe novas esperanças, mas também a grande dúvida: como nossos governantes vão enfrentar o desafio da qualidade ? Os problemas quantitativos estão cada vez mais fáceis de resolver, inclusive pelo fato de a evolução demográfica brasileira ser altamente favorável – crescimento populacional reduzido e contingentes cada vez menores nas faixas etárias compreendendo a infância e a adolescência. Os investimentos no setor educacional estão crescendo no ritmo adequado e as novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) facilitam em muito o trabalho pedagógico, assim como o atingimento dos locais mais remotos de nosso vasto território. Mas a receita tradicional não está funcionando e a qualidade permanece decepcionante. A pontuação obtida pelos estudantes brasileiros no teste PISA, realizado pela OCDE e envolvendo dezenas de países, é cronicamente desfavorável: estamos sempre entre os últimos colocados. Mas como enfrentar esse desafio ? Não creio que apenas medidas ortodoxas, adotadas em outros países ao longo das últimas décadas – e que estão sendo imitadas em nosso País - possam resolver o problema brasileiro, cheio de especificidades culturais que têm grande influência no sucesso de programas de massa como são os educacionais. O funcionamento pleno de um sistema de educação continuada, aberto a todos os brasileiros, e a adoção maciça das novas tecnologias de ensino (TIC), para todas as classes populacionais, são medidas consagradas globalmente e certamente adequadas em nosso caso. Mas é preciso mais... Entender a alma brasileira, seus vícios e virtudes. Dentre as pessoas que visitam este blog estão muitos educadores e interessados em Educação. Deixo-lhes, sem maiores detalhes, três sugestões que não estão sendo cogitadas no Brasil e que gostaria que comentassem, à base das experiências que viveram:
a) Fazer da escola o centro da comunidade, com todas as implicações, internas e externas, que esse papel central há de ter.
b) Criar o conceito de “garantia de qualidade” em Educação – garantia que os estabelecimentos e agentes educacionais, públicos e privados, indistintamente, devem ser obrigados a dar a quem utiliza seus serviços.
c) Implantada a educação continuada – que deve acontecer em todos os lugares, para todos, durante toda vida – o lar, e mais especificamente a família, passa a ser o sujeito/objeto privilegiado do processo. De tal forma que, a exemplo do “médico de família”, devemos instituir de imediato o “professor de família”, que irá aos lares necessitados e atuará sobre todos os seus membros – crianças, adolescentes, adultos e idosos – principalmente orientando-os sobre os caminhos da educação continuada disponíveis localmente, para superar as barreiras do conhecimento.
Pensem nisso e comentem, pois há muito trabalho pela frente e o tempo voa...
PS - Este texto só pode ser citado, total ou parcialmente, dando-se crédito ao seu autor.

domingo, 25 de julho de 2010

VENCEDOR VERMELHO DE VERGONHA

1. VENCEU O PIOR – meu último blog começava pelo título “VENCEU O MELHOR” e era uma elegia ao time de futebol da Espanha, bravo campeão da COPA DO MUNDO DA ÁFRICA DO SUL. Pois hoje o título é o antônimo e o protagonista principal também é espanhol, mas de estirpe bem diferente: esse tal de Alonso – figura patética, depois de tentar ultrapassar Felipe Massa e não conseguir. “É ridículo”, bradava,, como se sua incompetência fosse culpa do adversário. E choramingava – ele sim, ridículo - certamente apelando para que uma força maior, ainda mais imoral, lhe desse a dianteira imerecida. E a voz superior da “Máfia Rossa” acudiu prontamente e lá se foi ele para o pódio, desperdiçar o Sekt alemão, ao lado de sua vítima. Esporte, “mens sana in corpore sano”, ética, saúde mental e moral. Na Fórmula 1, está mais do que provado, nada disso existe. Lembram da vergonha do Piquet, provocando um acidente, pondo em risco a vida alheia, para “arrumar um resultado” exatamente para esse mesmo Alonso ? E prejudicando o mesmo Massa, que perdeu preciosos pontos que posteriormente ter-lhe-iam lhe dado o Campeonato ? Jamais voltarei a assistir a essas corridas da Fórmula 1. Qual a graça de uma corrida em que não ganha quem corre mais ? Lembram do Rubinho com o Schumacher ? Continua tudo na mesma. Quer dizer, quem ainda continuar vendo essa competição é porque gosta de ser enganado. E eu não gosto...E acho que deveria haver uma corrente na internet concitando todo mundo a ignorar a Fórmula 1, que merece ser justamente levada à falência, banida e desprezada. Ou devemos continuar prestigiando a desonestidade ao vivo e a cores, em cadeia mundial ?
2. MEMÓRIAS - Uma vez, fui com o Ministro Roberto Campos almoçar no Museu de Arte Moderna e ele me disse ironicamente que lá não comiam pessoas físicas - só pessoa jurídica. Era muito caro...mas naquele dia o Governo Brasileiro ia pagar, porque o almoço era importante. Antes de encontrarmos nossos convidados ilustres, chegou ao restaurante o Marechal Costa e Silva com sua "entourage", já eleito Presidente da República. Roberto Campos devotava-lhe um desafeto profundo. Costa e Silva desestabilizara o Governo Castello Branco quando soube que o Presidente estava articulando a passagem do seu cargo para o Deputado Bilac Pinto, de Minas Gerais, de modo a interromper os Governos Militares e restabelecer a Democracia. Costa e Silva era o Ministro da Guerra, estava "picado pela mosca azul" e tinha as armas na mão. Vai daí... Já Roberto Campos, este considerava Castello Branco um grande estadista e o venerava. Jamais perdoou Costa e Silva. Estranho muito que eu nunca tenha visto essa circunstância histórica escrita nos livros sobre o período autoritário.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

MOBRAL: CAMPEÃO DA COPA DO MUNDO DE ALFABETIZAÇÃO

1. VENCEU O MELHOR - Gostei da vitória da Espanha na COPA. É o país que mais investe no futebol profissional mundial e propicia os melhores espetáculos desse esporte atualmente. Claro que preferia a vitória do Brasil, mas como não deu... Na COPA de 1950, no Maracanã, a Espanha me possibilitou ver uma das maiores atuações de uma equipe e de um jogador de futebol: a seleção brasileira liderada por Zizinho, para mim o maior craque brasileiro de todos os tempos. E nós todos, nas arquibancadas, cadeiras e gerais, cantávamos em coro: “Eu fui às touradas de Madri...” Enquanto o Brasil “enfiava” 6 x 1 nos espanhóis. Devo as grandes emoções daquele dia remoto à Espanha. Além do mais, no caso específico do jogo da Final deste ano, minha torcida era bem definida. Os holandeses desenvolvem um futebol violento e intencionalmente maldoso. No jogo com o Brasil entraram deliberadamente para que algum jogador brasileiro fosse expulso – e conseguiram ! Desde o início da partida foram desleais, se atiravam ao solo em todos os contactos com os jogadores brasileiros e reclamavam um cartão do juiz. Apitaram o jogo sob a complacência do árbitro. Aliás, a COPA foi caracterizada por árbitros fracos, erros clamorosos, uma bola indomável e um público maravilhoso. Olé ! E arriba Espanha !
2. COPA DE 2014 – Já marquei com meu amigo Carlos Eduardo da Silva Pinto para vermos juntos um dos jogos da COPA de 2014. Em 1950 estávamos no Maracanã quando o Brasil estreou contra o México, vencendo por 4 x 0. O motorista do Dr. Mário da Silva Pinto, pai de Carlos Eduardo, nos levou - éramos muito garotos. Carlos Eduardo me lembrou outro dia que havia uma grande poeira cinza pairando sobre todo o estádio, pronto poucas semanas antes do evento. Como chove pouco no Rio em junho e julho e não o lavaram.. Ficamos espremidos no meio da multidão, mas a vitória compensou. Nos jogos posteriores do Brasil, contra a Espanha e a Suécia, fui com a turma de rapazes mais velhos da Montenegro – Dilermando, Vantuil, José Fernandes e Paulo Príncipe, se não me engano. Foi um milagre me deixarem ir, mas por influência do Dr. Álvaro Borges, amigão do meu pai, fui liberado. O aperto continuou o mesmo, mas as vitórias da nossa Seleção foram inesquecíveis. Em 2014 vamos revisitar juntos - Carlos Eduardo e eu - aquelas velhas emoções.
3. EMPREGO PARA TODOS - O primeiro semestre de 2010 foi bom para os trabalhadores brasileiros, com a criação acumulada de 1.473.320 novos empregos formais – quase 250 mil a cada mês. Em junho houve a geração de 212.952 postos de trabalho. O Brasil tem hoje 34.474.339 empregos com carteira assinada, uma das maiores forças de trabalho do mundo.
3. BEM-AMADO – vem aí o filme Bem-Amado, com o Nanini, recordando aquela novela em que Paulo Gracindo deu um show de representação. Seu personagem, o Prefeito Coronel Odorico Paraguaçu, ficou mal-afamado sobretudo pelo seu empenho em construir um cemitério em seu Município. Na novela isso aparecia como uma falha grave de gestão na Prefeitura. Preconceito de citadinos. No meu tempo de MOBRAL, ao fazer um Censo de analfabetos, nossa Coordenadora no Rio Grande do Norte, Lurdinha Bittencourt, chegou ao sopé de uma serra que diziam habitada por umas poucas pessoas. A turma do MOBRAL subiu, em quatro horas de caminhada. Surpresa. Encontrou milhares de pessoas vivendo lá, fora do mundo... Na poética Serra do João do Vale. O MOBRAL começou a trabalhar com a comunidade descoberta, alguns funcionários chegaram a morar lá durante algumas semanas e realizaram uma campanha de alfabetização intensiva, cursos de educação sanitária, atividades culturais, treinaram monitores locais etc etc etc Lurdinha foi ao Governador Tarcísio Maia, obteve seu apoio e uma estrada começou a ser construída. Os moradores da Serra penavam: costumavam descer a pé, em grupo, revezando-se como carregadores, quando era preciso transportar seus mortos. Diziam que como seu cemitério não havia sido benzido por um padre, ocorriam problemas macabros: de quando em vez as sepulturas apareciam reviradas. Daí, enterrarem seus defuntos tão longe, em Augusto Severo. Sua maior aspiração era ter um cemitério inaugurado por um padre. Não sabiam que os muros tinham que ser aprofundados com cortinas de concreto, para evitar a entrada de tatus no Campo Santo – esse era o problema dos túmulos revirados. De qualquer forma, o Governador Lavoisier Maia, sucessor de Tarcísio, reconstruiu o cemitério, foi lá de helicóptero com um padre para inaugurá-lo e o povo ficou feliz como ninca. Em 8 de setembro de 1981 - eu já havia saído do MOBRAL - a UNESCO nos deu seu maior Prêmio de Alfabetização pelo trabalho na Serra do João do Vale. Por termos descoberto um Brasil lindo, mas desconhecido e abandonado...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

ENVELHECIMENTO ATIVO COM MAIS EMPREGOS PARA IDOSOS

1.GERAÇÃO DE EMPREGOS EM MAIO BATE RECORDE - O mercado de trabalho formal brasileiro absorveu mais 298.041 trabalhadores em maio e já registra a criação de 1.260.368 empregos em 2010. São dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), coletados e processados pelo Ministério do Trabalho, após serem enviados pelas empresas sediadas no País. Entre os setores que mais empregaram em maio estão Serviços (86.104), Agricultura (62.247), Indústria de Transformação (62.220), Comércio (43.465) e Construção Civil (39.082). Em termos geográficos, houve expansão do emprego em 25 das 27 Unidades da Federação. Tudo indica que em 2010 haverá oportunidades de trabalho em número superior ao de todos os jovens que chegam à idade ativa – cerca de 1,7 milhão. O que significa que ainda vamos resgatar do desemprego alguns milhares de trabalhadores atualmente desocupados.
2.JABULANI – Finalmente a FIFA emitiu uma nota dando conta que a conveniência do lançamento dessa nova bola - que já está sendo usada na COPA DO MUNDO – deve ser discutida. Só que agora é tarde, a bola prejudicou a performance técnica de muitos jogadores nos primeiros jogos e neles o espetáculo perdeu brilho. Neste momento os jogadores já se adaptaram e os chutes estão melhorando. Insanável incompetência da FIFA. Ponto para o marketing da fabricante da bola que alcançou uma notoriedade inédita.
3. TERCEIRA IDADE DISCRIMINADA – Há anos me interesso pelos problemas da população da terceira idade. Estou ansioso para conhecer os resultados do Censo de 2010, para saber se os problemas dos idosos no Estado do Rio de Janeiro, entrevistos em 2000, foram amenizados ou não. A exemplo do que já ocorrera no Censo de 1991, dentre os Estados, era o Rio de Janeiro que apresentava maior proporção de idosos em 2000: a população residente de 60 anos e mais de idade, com 1.540.754 componentes, correspondia a 10,7% do total (em 1991 fora 9,2%). Do total de idosos do Rio de Janeiro, em 2000, 475 mil tinham de 60 a 64 anos; 389 mil de 65 a 69 anos; 302 mil de 70 a 74 e 374 mil tinham 75 ou mais anos de idade. Nossa população idosa é predominantemente feminina. No Brasil, em 2000, a mulher vivia 8 anos mais do que os homens e 55% dos idosos eram mulheres e 45% homens. No Estado do Rio de Janeiro a feminização se agudiza: tínhamos 41,5% de homens (638.860) contra 58,5% de mulheres (901.894). Dentre os Municípios das Capitais, também a Cidade do Rio de Janeiro, com 751.637 idosos, tinha 12,8% da população total com 60 e mais anos de idade - o perfil mais envelhecido no País em 2000 e que já se aproximava do que ocorria nas nações desenvolvidas. Havia então 294 mil homens e 458 mil mulheres nessa faixa etária (e portanto 61% eram do sexo feminino). Quando se observava em 2000 a população idosa fluminense, verificava-se sua condição predominantemente urbana, seguindo os padrões da população nacional: 11.825.829 citadinos contra 2.710.200 rurícolas, ou 81,3% contra 18,7%. Todavia, ao desagregar esses dados, verificar-se-á que há proporcionalmente mais mulheres idosas nas zonas urbanas e mais homens velhos nas zonas rurais – neste último caso porque há maior longevidade no trabalho masculino no campo. O que também chamou a atenção no Censo de 2000, relativamente aos idosos, foi seu papel familiar: 62,4% dos idosos eram responsáveis por domicílios, contra 60,4% observados em 1991. Os cônjuges desses responsáveis representavam 22,0% dos idosos, o que mostra que 84,4% das pessoas da terceira idade, em 2000, tinham um papel de destaque na nova família brasileira. Assim, 8.964.850 lares tinham um idoso como responsável, o que era muito expressivo (20%) no conjunto de 44.795.101 domicílios existentes no País. A feminização está progredindo e 37,6% (equivalentes a 3.370.503) dos idosos responsáveis já eram mulheres em 2000, contra 31,9% em 1991. A idade média dos responsáveis estava próxima dos 70 anos (70,2 anos para a mulher e 68,9 quando homem). Dos domicílios sob a responsabilidade de idosos merecem atenção os unipessoais – com apenas um morador – que eram 1.603.883 em 2000, dois terços dos quais ocupados por mulheres. Aliás, analisado o problema da solidão como um todo, o Estado do Rio de Janeiro lidera na proporção de domicílios unipessoais, com 11,2% do total. Outro aspecto revelado pelo Censo é que 22,3% dos aposentados brasileiros trabalham: 30,2% dos homens e 14,1% das mulheres. O fenômeno era sobretudo intenso nas zonas rurais, em que 31,2% dos aposentados trabalhavam, enquanto nas cidades o percentual era de 20,2%. Quanto aos rendimentos, os dados revelaram uma certa melhora nos rendimentos médios percebidos pelos responsáveis idosos no período intercensitário, principalmente nas zonas rurais do PaÌs. Contudo, de uma forma geral, a distribuição dos responsáveis idosos por classes de rendimento ainda se encontra extremamente concentrada nos estratos de renda inferiores. O idoso leva certas desvantagens, sendo seu nível educacional o principal deles. Em 2000 a escolaridade dos idosos estava abaixo da média, principalmente entre as mulheres. Considerando apenas os idosos responsáveis por domicílios, a média de anos de estudo das pessoas com 60 e mais anos de idade era 3,4, sendo a dos homens 3,5 anos e a das mulheres 3,1. Nesse particular o Estado do Rio de Janeiro tinha a maior média nacional, de 5,4 anos, superado apenas pelo Distrito Federal (6,0 anos). Nossa Capital tinha a terceira melhor média em anos de estudo (6,9), superada ligeiramente por Porto Alegre (7,1) e Florianópolis (7,2). Por outro lado, esses responsáveis também apresentaram uma ligeira melhora no aspecto educacional, aumentando a proporção de idosos alfabetizados entre 1991 e 2000, embora a média de anos de estudo deste segmento ainda seja extremamente baixa. A tese de que as campanhas de alfabetização devam ignorar os idosos é destituída de razão. Muito ao contrário, deve-se investir no aumento da escolaridade dos mais velhos além de se criarem mecanismos de certificação de suas habilidades e conhecimentos obtidos pela própria vivência prolongada, o que é totalmente compatível com a filosofia mais moderna de educação continuada. Mesmo porque os dados aqui alinhados revelam que os idosos necessitam e querem dispor de melhores meios econômicos e financeiros para se desincumbirem de suas obrigações familiares. Consequentemente, a dimensão laboral ganha realce e o idoso tem que ser olhado sob esse novo prisma das oportunidades ocupacionais. A política de envelhecimento ativo deve integrar o ideário obrigatório de todos os nossos Governos !

quinta-feira, 17 de junho de 2010

JABULANI VOLÁTIL COMO O PERFUME DAS BRASILEIRAS CAMPEÃS

1.MEU FRACO POR PERFUMES... – Gostei de conhecer o site de Gloria Taveira sobre Aromaterapia (http://www.spagloriataveira.com.br ). Desde a juventude tenho um “fraco” por perfumes. Comecei na década dos 50, com o “Avant la Fête” argentino e quando fui jogar voleibol pelo Fluminense em Buenos Aires, em 1957, passei a usar o Lancaster. Muito melhor, descoberto nas andanças com Átila, Naga, Parker, Ronaldo, Mário, Jonjoca e Careca ao longo da Calle Florida. Pelo Chambley, também portenho, nunca passei - não fazia meu tipo, achava horroroso...Em 1959 fui a Paris, também jogando voleibol, disputando a Petite Coupe du Monde pela Seleção Brasileira e visitei incontáveis vezes a Rue Rivoli, então a Meca dos Perfumes, para conhecer as novidades. Lá, conheci uma Colônia que usei durante muitos anos: verde, levemente cítrica,suave, foi ótima enquanto durou. Voltei muitas vezes a Paris, por força de meus trabalhos com a UNESCO e a compra obrigatória era ela, a Colônia Fougère Royale Pour Homme. Mas numa dessas viagens veio a notícia trágica: “a minha Colônia” não era mais fabricada... Desde então, transito indeciso por muitas marcas, sem me fixar em qualquer delas: CK, Hugo Boss, Kenzo, Polo, Ermenegildo Zegna... As visitas à SEPHORA continuam dando grande prazer, mas falta algo... Queria mesmo, de volta, o Fougère Royale, de preferência junto com a minha mocidade... Numa visita à Riviera, já nos anos 90, fui à Cidade de Grasse, onde crescem as lavandas e outras flores notáveis, lá mesmo transformadas em essências maravilhosas. Mas a minha... nem lá existia mais. A “fougère”, criada em 1882 por Paul Parquet, foi o primeiro perfume contendo uma substância química sintética que os consumidores aceitaram bem – era a cumarina, achada na Natureza na lavanda, trevo e feijão Tonka. E Grasse foi minha derradeira tentativa...
2.AROMATERAPIA - Gostei do que o site da Glória conta: “A história da aromaterapia, dos homens pré-históricos aos dias de hoje, passa pelos egípcios, gregos e romanos. O uso de substâncias aromáticas, em rituais, por sacerdotes, em forma de incenso e em mumificações, era uma prática freqüente no antigo Egito. Na Grécia Antiga acreditavam que os perfumes eram formulados pelos deuses, e os utilizavam em remédios aromáticos e cosméticos. Roma, por sua vez, tornou-se a Capital mundial dos banhos: os romanos utilizavam os óleos aromáticos em massagens ou como pós-banho. O conceito moderno e atual da aromaterapia, definida como “uma forma holística de cura”, foi assim proposto, no final da década de vinte, pelo químico francês René M. Gatefossé, após queimar as mãos no laboratório da família e mergulhá-las no líquido mais próximo – uma tigela com óleo essencial de lavanda. Acidentalmente, ele descobriu as propriedades dermatológicas e medicinais dos óleos essenciais, ao constatar que a queimadura sarou e não deixou cicatrizes. Impressionado com o resultado, Gattefossé começou a pesquisar as propriedades dos óleos essenciais e em 1928 lançou seu livro intitulado “Aromatherapie”. (Silva, 1988). Durante a segunda Guerra Mundial, Jean Valnet, médico francês, empregou os óleos essenciais em feridos, o que lhe trouxe reconhecimento nas curas holísticas. No pós-guerra continuou suas pesquisas e em 1964 seu livro foi publicado. (Silva, 1988). A Marguerite Maury, bioquímica francesa, foi creditado o uso moderno da aromaterapia. Ela concluiu, após pesquisas, que basta o uso externo em massagens com sinergia individualizada para se obter os efeitos desejados. (Silva, 1988). Hoje, a aromaterapia é praticada mundialmente e com critérios científicos: os aromaterapeutas usam os óleos essenciais para promover beleza e saúde do corpo, da mente e da alma.” Gostei !
3. BRASILEIRAS CAMPEÃS MUNDIAIS NO MILITAR DE VÔLEI FEMININO - A hegemonia brasileira no voleibol volta a ser confirmada: nossa Seleção Militar Feminina conquistou o título do 31º Campeonato Mundial Militar, disputado na Base dos Fuzileiros Navais de Cherry Point, na Carolina do Norte, Estados Unidos da América. A final foi contra a Alemanha e o Brasil venceu por 3 x 0. Foi a primeira participação de uma equipe militar brasileira feminina no Campeonato Mundial. As brasileiras deram show: a 3º Sgt Fernanda Garay foi eleita a melhor jogadora da competição; a 3º Sgt Juciely, o melhor bloqueio; e a 3º Sgt Ana Cristina, o melhor saque. A capitã da equipe brasileira, 3º Sgt Camilla Adão recebeu o troféu que ficará no Brasil até os Jogos Mundiais Militares do Rio de Janeiro, em 2011.
4.A BOLA TUDO PODE – Insisto na importância da bola e de suas características para a performance esportiva de alto nível. A bola tudo pode. Se alterássemos, por exemplo, a confecção da bola de voleibol, desenvolvendo tecnologia que permitisse que ela não tivesse gomos, mas mantivesse suas demais características de maneabilidade e durabilidade, as cortadas perderiam velocidade e o jogo (principalmente o masculino) seria mais interessante, porque o ponto custaria mais a acontecer. E quem nos ensina isso são os estudos científicos sobre turbulência. Uma bola inteiriça, sem gomos, teria maior arrasto, deslocar-se-ia com menor velocidade, facilitaria as defesas em geral. Agora, se colocarem ranhuras, como as da pele dos tubarões (que deram origem aos maiôs inteiriços de natação, agora proibidos), a bola passará a “voar”, em alta velocidade. Foi o que fizeram com a Jabulani. Um exemplo bem estudado e conhecido para todos entenderem: o desenho da bola de golfe, cheia de “covinhas”, visa maximizar o seu deslocamento após a tacada. A tacada com a bola oficial de golfe, com suas reentrâncias, atinge até 250 metros. Calcula-se que a mesma tacada em uma bola de golfe do mesmo material, mas sem covinhas ( “dimples” em inglês), não passaria dos 100 metros. A Jabulani, a grande “estrela” da COPA até agora, é um “tubarão, disfarçado de peixe voador” e quando bate no chão sobe a alturas inimaginadas, enganando os jogadores e engolindo a reputação dos goleiros.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

PIB SOBE MAIS QUE JABULANI

1.PIB DA RECUPERAÇÃO – Segundo dados do IBGE, a economia brasileira, de janeiro a março deste ano, cresceu 2,7% na comparação com o quarto trimestre de 2009. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, quando a crise ainda era aguda, a alta do PIB foi de 9%. O desempenho da indústria (crescimento de 4,2%) foi excelente, mas a Agricultura (com 2,7%) e os Serviços (com 1,9%) também mostram uma economia pujante, recuperada e que vai crescer no mínimo 6% este ano. Vamos empregar este ano, no mercado de trabalho formal, cerca de 1,8 milhão de pessoas. Agora é preciso segurar a euforia da economia e domar a inflação, aumentando os juros, para termos um ano muito bom.
2. JABULANI - posso entender perfeitamente porque os jogadores da Seleção Brasileira de Futebol, que disputa a COPA DO MUNDO da África do Sul, são os que mais reclamam da bola oficial do certame. Para atletas exponenciais, de um esporte de competição em alto nível, a bola do jogo tem muitos mistérios já desvendados com grande esforço e que, devidamente aproveitados, levam à vitória. Uma alteração importante em suas características – como parece ter ocorrido agora - pode anular anos de treinamento e tirar-lhes uma arma tática preciosa. Os brasileiros são os futebolistas de técnica individual mais refinada. Vai daí, são os que mais têm a perder com a mudança... Seus chutes têm muito mais mistério do que se imagina. Quando atleta, minha “intimidade” com a bola decorreu da curiosidade em relação ao saque. A observação do fabuloso e temido serviço executado pelas jogadoras japonesas no início da década dos 60 chamou-me atenção. Bola e saque, com aquela precisão nipônica, para um engenheiro como eu, sugeria aplicações da Física, sobretudo da Dinâmica, com o uso dos conceitos de quantidade de movimento, velocidade e turbulência entre outros. Decidido a melhorar minha performance, estudei o saque tático mais eficaz para o voleibol daquele tempo e que eu poderia executar com o mínimo de erros. Não era um saque para fazer ponto e não era violento. Objetivava dificultar o passe e consequentemente limitar as variações de jogada que o levantador adversário poderia executar. Depois de anos de observação, estudos e exercícios de “ensaio e erro” concluí que deveria executar um saque em que a bola se deslocasse parada, sem movimento de rotação, porque, ao contrário do senso comum, a rotação dá estabilidade à bola e eu desejava exatamente que ela se tornasse instável ao final de sua trajetória. Para isso, aprendi como e onde deveria golpear a bola, qual o posicionamento ideal e o movimento do braço a executar (o que, aliás, causava uma vibração/solicitação exagerada dos tendões do meu ombro). Sabendo que a bola de voleibol era esférica mas não homogênea, porque havia um peso um pouco maior no ponto em que a válvula era colocada, concluí que seu posicionamento em relação à área do golpe na bola teria influência sobre o desvio objetivado na fase final da trajetória, imediatamente antes de chegar ao defensor. Não tive um técnico que me ensinasse. Foi autodidatismo puro. E quando a bola era mudada – aprendi na prática - era preciso uma adaptação às novas condições. Mais ou menos demorada. Deduzi assim, com o tempo, que o saque das nipônicas era também o resultado de um aprimoramento técnico conduzido com o método experimental. Não poderia ter sido um desenvolvimento teórico, com a utilização das equações de Stokes-Navier, que são aplicadas na descrição dos movimentos turbilhonares de fluidos (o ar passando pela bola que se desloca), pois sua operacionalização era (e ainda é) muito problemática. Não havia supercomputadores na época e o meio mais prático e adequado para testes aerodinâmicos era o túnel de vento, ainda hoje usado nos projetos de novos aviões, mas que dificilmente teria também sido utilizado para eficientizar os saques das nipônicas, simulando o efeito da turbulência sobre a bola de voleibol, por causa das dificuldades teóricas e práticas inerentes. Provavelmente, imaginei, utilizou-se um enfoque empírico, de ensaio e erro, até chegar-se ao saque ideal para cada jogadora, a partir do que foi levado a efeito um treinamento intensivo das atletas envolvidas, de modo a automatizar a execução do saque. Foi o que eu também fiz, para chegar a um saque “desagradável” para meus adversários: aquele em que o movimento da bola se tornava instável ao chegar ao defensor e descrevia o chamado “swing”, isto é, flutuava aleatoriamente. Atualmente, o saque passou a ser predominantemente violento (dado com pulo e gesto de cortada). Saques que tenham “swing” e confundam os defensores são cada vez menos relevantes, inclusive porque a sua defesa de toque é agora permitida e o toque não precisa ser perfeito como na regra antiga, o que facilita a recepção. Dizem que a tal jabulani tem algo que a fará o terror dos goleiros na COPA. Mas primeiro os atacantes precisam (re)aprender a chutá-la do modo certeiro e mortífero de sempre... E isso tem seus mistérios...
3. MOBRALTECA – Ana Maria Watson, a Anateca do MOBRAL, notabilizou-se porque materializou o Projeto MOBRALTECA. Agora, enviou-me uma entrevista feita por Mariana Cruz (o texto a seguir, entre aspas, é totalmente dela) com José Trabulsi, que foi Animador do projeto no Nordeste. “Um caminhão que circulava por diversas cidades projetando filmes, emprestando livros, espalhando arte por onde passava. Assim eram as Mobraltecas: unidades móveis criadas na década de 1970 com o objetivo de difundir cultura pelos quatro cantos de nosso país. Apesar das MOBRALTECAS não existirem mais, iniciativas como esta são sempre boas de serem lembradas. Nesta entrevista, um dos coordenadores deste ousado projeto, José Trabulsi, nos fala um pouco de sua experiência.
Qual a finalidade da Mobralteca?
José Trabulsi: A finalidade era a valorização da cultura local e a descoberta de valores pelas comunidades por onde passava. Era dinamizado o programa cultural com vários subprogramas como: literatura, artes plásticas, artesanato, televisão, cinema, música, patrimônio histórico e reservas naturais, folclore etc.
P.E.P.: Em que época foram criadas as Mobraltecas?
J.T.: Em 1974 foi lançada no Rio de Janeiro pelo Cecult (Centro Cultural do Mobral) a primeira Mobralteca, chamada de Santos Dumont, visando a descoberta de valores e a valorização da cultura local. Tinha ainda a finalidade de sustentar o aluno na sala de aula. Como a primeira Mobralteca foi de grande êxito, foram fabricadas mais 5 (cinco) unidades, onde duas foram patrocinadas pela caderneta de poupança DELFIN e uma pela caderneta de poupança PARANÁ. O restante eu não sei.
P.E.P.: O senhor poderia descrever como era fisicamente uma Mobralteca?
J.T.: Era um caminhão qualquer terreno com palco, serviços de som, projetores de filmes em 16mm e slides, circuito fechado de televisão, videocassete, pinacoteca, mais ou menos 3000 livros para serem emprestados às comunidades, baú da criatividade com todas ferramentas para trabalhos de artesanato em couro, madeira, tapeçaria, artes plásticas, crochê, instrumentos musicais e outros. Tudo isso alojado nos seus respectivos lugares, para um bom desempenho da equipe de trabalho. Tinha ainda, no interior do caminhão, 3 camas, 3 guarda-roupas, banheiro, geladeira, sistema elétrico trifásico.
P.E.P.: Que mudanças o senhor percebia após a passagem da Mobralteca pelas cidades?
J.T.: Muitas pessoas nas cidades por onde passávamos viviam no anonimato (músicos, artesãos, pintores, cantores, repentistas, poetas, dançarinos etc.) e com a apresentação deles na Mobralteca ficavam conhecidos e passavam a se apresentarem nas suas e outras comunidades, comercializando seus produtos, ou melhor, vivendo de sua profissão revelada.
P.E.P.: Como era o funcionamento da Mobralteca?
J.T.: Era montado um roteiro de 45 a 50 dias para a realização dos trabalhos a serem realizados de acordo com os objetivos especificados pela Coordenação do Estado em que a unidade se encontrava. Após a realização dos trabalhos, a equipe da Mobralteca tinha 10 dias de folga e 5 dias para estudo do novo roteiro a ser realizado.Cada roteiro tinha 3 momentos : 1- preparação feita por uma equipe da coordenação e, às vezes, juntamente com a equipe da Mobralteca (sempre a mesma equipe fazia a mobilização dos trabalhos nas localidades a serem trabalhadas); 2- execução dos trabalhos feitos pela equipe da Mobralteca com avaliações diárias; 3 - avaliação geral com a Coordenação envolvida e com a Coordenação-pólo (responsável pelo veículo), esta no final do roteiro.
P.E.P.: Em que regiões do país atuaram as Mobraltecas?
J.T.: As Mobraltecas atuaram na maioria dos municípios brasileiros e em alguns povoados, sendo divididos em seis REMOBs (Região Mobralteca): Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão. No meu caso, a minha região era Maranhão, Piauí, Ceará, Pará e Goiás Norte.
P.E.P.: Por que as Mobraltecas deixaram de existir?
J.T.: Assim que o presidente Collor assumiu o governo, para dar uma de bonzão, mandou colocar todos os veículos das fundações em leilão público e neste embalo as Mobraltecas também entraram. Eu fui ver o leilão. Com um pouco de dinheiro, tentei arrematar a Mobralteca. Mas que nada, não cheguei nem perto. Um político cobriu todos o lances e para o meu constrangimento e frustração saí de lá chorando em ver um projeto tão importante naquele momento ser enterrado para sempre. Vendo aquilo que eu cuidei com tanto zelo, também onde morei por alguns anos.”
Parabéns, Mariana Cruz. Escolheu o entrevistado certo. Um herói anônimo do Brasil interiorano. Nosso Trabulsi é um mobralense típico e suas recordações maravilhosas superam qualquer dificuldade e frustração.

domingo, 30 de maio de 2010

O DIA EM QUE O MOBRAL CHEGOU À LUA

1.FUTEBOL E VISÕES NAS AREIAS DE IPANEMA – Joguei futebol até os 17/18 anos de idade. Depois não deu mais. Paulo Azeredo, meu técnico de voleibol no Fluminense, reclamava da minha dupla dedicação esportiva. Os jogos do Campeonato Carioca de Juvenis, que eu disputava, eram aos domingos pela manhã. Afora os Campeonatos Colegiais pelo Mello e Souza, nessa época eu praticamente só jogava futebol na praia, em Ipanema, pelo Clube Lagoa, do Posto Nove, mas as partidas eram sábado à tarde. Acontecia eventualmente de eu chegar ao jogo de voleibol machucado ou cansado, porque atuara como centro-avante no dia anterior e os beques me marcavam muito duramente. Vai daí... Deixei o Lagoa com muita pena. Tinha grandes amigos no time, que era uma potência. Na linha jogavam, Huguinho Ibeas, Eduardo do Chaika, Serginho, Rogério, Lulu Adnet; na defesa, os irmãos Manhães – Alex, Carlinhos e Nandinho – mais o Raul (esse mesmo, o das pizzas !), Maneta, Rubinho e Sérgio Bilula. O dono do time era o Théo Sodré. O Lagoa era um contrassenso: a camisa era do Flamengo e o Théo botafoguense histórico, sobrinho do Mimi Sodré, fundador do alvinegro. E apesar do nome, o Lagoa só jogava na praia e nunca atuou na Rodrigo de Freitas, lagoa onde também havia areia e dois campos de futebol em frente à Montenegro. Nossos adversários na Liga de Ipanema/Leblon eram o Grêmio Leblon, Tatuis, Torino, Vidigal, Porangaba, Monte Castelo. Um momento memorável, para nós, garotos do Lagoa, foi o sábado em que os jogadores húngaros da famosa Seleção de 1954, em turnê pelo mundo como asilados, fugindo do “paraíso” comunista, foram ver nosso time em ação e alguns até jogaram uns poucos minutos conosco. Ficaram espantadíssimos com a nossa habilidade em dominar a bola na areia fofa e cheia de ondulações, conduzí-la, dar passes e chutá-la com precisão. O time magiar era repleto de craques, considerados os melhores do mundo na época: do goleiro Grosics ao ponta Czibor, incluindo Kocsis, Nándor Hidegkuti, Buzánszky, Bózsik e Budai, comandados pelo capitão da equipe, Ferenc Puskás e pelo técnico Gusztáv Sebes, todos davam show de bola. O poderio ofensivo dos húngaros era incrível; tomamos um 4 x 1 deles na Copa do Mundo na Suiça, embora nossa equipe fosse excelente. A imprensa apareceu no campo do Lagoa e tirou várias fotografias, estampadas nos jornais do dia seguinte. Foi a suprema glória da nossa turma ! Houve uma época em que o Lagoa teve sua sede social, em uma casa da Avenida Epitácio Pessoa (essa sim, na Lagoa !). Bailes e festas memoráveis, atividades culturais, conferências, sessões de cinema, peças teatrais etc etc. Espetaculares eram as sessões em que nosso amigo César dos Santos da Silva (do Chaika) mostrava suas incríveis habilidades paranormais. Aliás, César, mais tarde, e por muitos anos, foi convidado a percorrer vários países para exibir esse seu talento excepcional. Certa noite de apresentação no Lagoa, César chamou um dos nossos jovens associados e o hipnotizou profundamente. A seguir, deu-lhe inúmeras sugestões, testando sua reação. O auge aconteceu quando César disse ao paciente que ele estava na Praia de Ipanema, sentindo muito calor, e via, ao longe, uma silhueta de mulher que se aproximava. Nosso herói desabotoou a parte superior da camisa e mostrou que suava muito com o sol de Ipanema. A seguir, fixou os olhos no horizonte e avistou a miragem. César disse-lhe que ela estava pertinho e era linda... - Meu Deus,– sugeriu – é incrível ! É a Brigite Bardot... e acrescentou que ela sorria e vinha em sua direção. Estava de biquini e parecia que ia tirá-lo !!! Nessas alturas, sob o protesto da rapaziada e a aprovação das senhoras e moças presentes, César interrompeu a sessão porque o olhar lascivo do entusiasmado hipnotizado já superara os limites da malícia e chegara ao terreno da indecência. Nunca vi uma expressão facial tão sugestiva, mesmo nos grandes atores de cinema e teatro. Impressionante, memorável e inesquecível ! Muitas saudades do Lagoa e sua gente...
2. GERAÇÃO DE EMPREGOS PARA ESTRANGEIROS – Segundo dados da Coordenação-Geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego, no período de 2005 a 2009 foram concedidas 165.933 autorizações de trabalho no Brasil para estrangeiros, das quais 11.978 autorizações permanentes e 154.015 temporárias. À exceção de 2009, este número vem crescendo anualmente. Os trabalhadores estrangeiros são principalmente dos Estados Unidos (14,2% do total de autorizações) , seguidos pelas Filipinas (com 8,9%), Reino Unido (8,4%), Índia (4,4%) e França (4,3%). Do total geral, 90% das autorizações (149.281) referiam-se a profissionais com grau de escolaridade superior ou segundo grau completo. Efeitos visíveis da Globalização a que já aludimos anteriormente. E da descoberta, pelo mundo, das potencialidades e oportunidades da economia brasileira. Eu sugeriria que entre esses trabalhadores, vindos do exterior, estivessem calceteiros portugueses, importados pela Prefeitura do Rio de Janeiro para recuperar nossas calçadas de pedra portuguesa que estão sendo destruídas velozmente pelo desconhecimento dos nativos a seu respeito. Pedras portuguesas autênticas são fixadas pela perícia dos artífices que as colocam, umas contra as outras, usando apenas terra, de modo a preservar a permeabilidade às águas pluviais e evitar alagamentos e enchentes. Da mesma forma, não apresentam desníveis, cuja existência acarreta seu deslocamento pelos transeuntes, criando os indesejáveis buracos. Usar cimento para fixá-las e “varrer” calçadas com aqueles jatos diabólicos de água sob pressão vão acabar com as belas calçadas decoradas de nossa Cidade ex-Maravilhosa.
3. ALTO PARAÍSO DE GOIÁS - Em 1973 o MOBRAL assinou seu Convênio de Alfabetização com Alto Paraíso de Goiás, o único Município brasileiro que ainda não o tinha feito anteriormente. E assim o MOBRAL “fechou” o Brasil. Mário Henrique Simonsen foi até o Presidente Médici para comemorar o feito inigualado, até então, por qualquer outro órgão público. Nem os Correios, o Exército ou o IBGE estavam em todos os Municípios... Alto Paraíso de Goiás era um centro de garimpo e praticamente só tinha população flutuante. Nesse primeiro convênio atendemos a grupos bastante marginalizados: prostitutas, mineradores por conta própria, ambulantes, sem terra etc etc É lá, em Alto Paraíso, que coincidentemente fica o exótico VALE DA LUA, considerado um dos dez lugares mais estranhos da Terra. Suas formações rochosas de quartzo e outros cristais, situadas a 38 quilômetros da sede do Município, estão entre as mais antigas e também mais diferentes do planeta, formando piscinas naturais de beleza exótica. Dizem que parece solo lunar. Daí o nome. É.. mas havia brasileiros necessitados e o MOBRAL chegou lá após apenas 3 anos de atuação ! Mais uma meta alcançada e uma espetacular vitória a relembrar...

terça-feira, 25 de maio de 2010

VOLEIBOL DOS TEMPOS DO CACHORRO AMARRADO COM LINGUIÇA

1.JOGOS DE INVERNO DE SANTOS – Fui jogador de voleibol nos tempos do amadorismo. Ganhava-se pouco – ou melhor, nada - mas era divertido. Uma das boas coisas do esporte oficial eram as excursões. O Fluminense, onde joguei toda vida (de 1953 a 1973), sempre foi muito convidado - pela importância do clube e pelo padrão técnico de nossa equipe. Na década dos 50 tive a sorte de entrar no timaço formado por Átila, Gil, Parker, Garcia, Mário, Ronaldo, Naga, Paulo Careca, Jonjoca, Jair Osmonde, Marquinhos, Xinxa etc. O técnico era Paulo Azeredo, dotado da paciência necessária para administrar aquela plêiade de astros temperamentais e cheios de vontades. Eu vinha do juvenil tricolor, onde ingressei em 1953, levado da praia pelo técnico Corrente (Hélio Cerqueira). Subindo para a Primeira Divisão, ainda bem jovem pude participar na conquista de títulos muito importantes pelo tricolor: fui tri-campeão do Rio de Janeiro (1956, 57 e 58) e Campeão dos Campeões Sul-Americanos, invicto, no Torneio de Buenos Aires, em 1957, contra as melhores equipes da Argentina, Uruguai, Paraguai. As excursões do tricolor para jogar fora do Rio eram maravilhosas, até porque nossa turma, só de estudantes e profissionais universitários, era animada, criativa e fazia muito sucesso em todos os sentidos. As cidades mais visitadas eram São Paulo, Belo Horizonte, Cambuquira, Juiz de Fora... No exterior nosso time jogou em Buenos Aires e La Paz. Em todas, sempre uma festa ! E havia os fabulosos Jogos de Inverno de Santos, nas férias do meio do ano ! Para lá íamos sempre em ônibus privativo, viajávamos à noite, na véspera da estréia, por força do orçamento apertado. Saíamos do Terminal Rodoviário Mariano Procópio na Praça Mauá e uma vez, enquanto esperávamos o transporte, vimos que havia um verdadeiro escrete de cômicos muito populares, também em grupo, aguardando embarque para São Paulo: Costinha, Zé Trindade, Brandão Filho, Colé, Walter D`Ávila e Grande Otelo. Os mais famosos do Brasil, no cinema, rádio e na ainda incipiente televisão. Até parece que iam disputar um grande “campeonato do riso” na Paulicéia...Claro que os elegemos para uma “pegadinha”- para passar o tempo enquanto o ônibus não vinha. Combinamos e partimos para a ação. Par ou ímpar... e três foram escalados. De papel e caneta na mão, a intervalos, um a um nos aproximamos dos comediantes, pedimos seus autógrafos e eles, satisfeitos, iam assinando. Mas combinamos: sempre quando chegasse a vez do Colé falaríamos que não era preciso. Eu, por exemplo, disse: “não, só os mais famosos...” A cara de decepção do Colé era de morrer de rir !!! Vocês não imaginam. Logo ele, que estava no auge da badalação, fazia dupla com a bela vedete argentina Nélia Paula, no Teatro Follies da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, logo alí no Posto Seis, em frente à Galeria Alaska. A gozação dos outros artistas em cima dele foi impagável: o riso espalhafatoso do Grande Otelo, os gritinhos em falsete do Costinha e o bordão famoso do Zé Trindade: “o que é a Natureza...” O Colé sofreu. Desforra pelas inúmeras vezes em que ele, Colé, chamava um assistente de suas peças ao palco e “gozava” impiedosamente o infeliz, sob o delírio da platéia. Naquela noite ele pagou os pecados. No fim, quando eles iam embarcar, ficamos com pena, fomos até eles e dessa vez pedimos o autógrafo do desolado Colé, explicando que era coisa de atletas gozadores, para animar a noite. E acrescentamos que o Colé era nosso ídolo, não saíamos do Follies, bla bla, bla... Mas que foi uma comédia, lá isso foi... Em Santos tudo era bom. A Cidade era muito parecida com o Rio e estava no auge do prestígio: era o ponto de encontro dos paulistanos em férias. Os mais ricos frequentavam o Parque Balneário Hotel, um daqueles luxuosos cassinos arruinados pela proibição dos jogos de azar em 1946, pelo Presidente Dutra, sob a inspiração de Dona Santinha, sua esposa, catequizada pelo Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara. Moralismo que desempregou 53.200 pessoas de imediato ! Era no Parque Balneário que nós, atletas tricolores, sempre convidados de honra, também montávamos nosso quartel-general fora das quadras. Bailes com boa música, as famílias quatrocentonas na última moda e nós com nossos impecáveis ternos sob medida – a turma era elegante e o Rio, na época, ditava o que era “in” ou “out”. Para nós, cariocas, o que mais impressionava naquelas festas é que se tratava de um baile de sobrenomes: as pessoas, ao se apresentarem, diziam o nome de família e só depois o prenome – que era o que nos interessava, em princípio. Em certos momentos, havia um cheiro de Carnaval fora de época no salão – era o lança-perfume levado do Rio para ser jogado nos decotes das paulistanas em flor – que se arrepiavam de frio mas acabavam adorando a brincadeira. Os jardins do Hotel também eram muito bem cuidados e iluminados e para lá a festa se prolongava quando os pares descansavam, pois se ouvia ao longe o bolero ou o blue da orquestra afinada. Bem...e havia o voleibol, é claro, com nosso time brilhando. Ficávamos sempre à beira-mar, na Praia do José Menino. Às vezes em Hotel, outras vezes em Colégios como o Escolástica Rosa - que mantinham internatos e estavam em férias. Qualquer que fosse o lugar, tudo se ajeitava – jogo de cintura não nos faltava. Eram outros tempos, o esporte da rede de alto nível de competição era elitista e não estava ao alcance de todas as classes sociais. No ano em que nos alojaram no Escolástica Rosa, com os 12 atletas em um grande dormitório com 6 camas-beliche bastante incômodas, às vésperas da Final do Torneio fomos, por conta própria, para uma pensão onde poderíamos descansar melhor. Outro ano, em que a comida dos jogadores era péssima e o Chefe da Delegação era Fábio Egipto, sutilmente o convidamos, juntamente com sua esposa Dona Electra, para jantar no melhor restaurante da cidade – no Hotel Atlântico. Em meio aos camarões, tournedos e morangos com creme – tudo pago por nós... – fizemos com que o dirigente entendesse nosso protesto mudo. As brincadeiras eram muitas e às vezes exageradas. Marquinhos, nosso levantador, tinha sono pesadíssimo. Nada o acordava. No fim de certa madrugada, sua cama foi conduzida para a beira dos trilhos da linha de bondes da Praia de José Menino e seus companheiros fizeram plantão até a chegada do primeiro bonde do dia, às 5 da manhã. O motorneiro, ao ver aquela cama envolta em quilômetros de papel higiênico, acionou o alarme do bonde e conseguiu acordar o Marquinhos, que ficou atônito. Só despertou de fato quando seus companheiros o abraçaram e levaram a cama de volta para o Hotel entre risadas mil. Eram assim aqueles tempos irresponsáveis mas inocentes. 2. RECICLAGEM É UMA ÓTIMA ! Pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, calcula que o potencial máximo de reciclagem no Brasil, se atingido, geraria renda de R$ 8 bilhões ao ano. Hoje, a economia obtida com a atividade está na faixa de R$ 1,3 a 3 bilhões anualmente. Atualmente, apenas 14% da população brasileira conta com o serviço de coleta seletiva e somente 3% dos resíduos sólidos gerados nas cidades são coletados nos municípios. Seria ótimo elevar essa performance porque a reciclagem tem permitido o resgate social de grupos excluídos, além de contribuir decisivamente com as políticas de conservação do meio ambiente. 3.GERAÇÃO DE EMPREGOS – Em abril, 305.068 empregos formais foram criados em nosso País, acumulando um total de 962.327 postos de trabalho gerados neste ano. Isso confirma as previsões de chegarmos ao fim de 2010 com saldo positivo superior a 1,7 milhão de carteiras assinadas – que é a quantidade mínima requerida para dar emprego à totalidade da nova geração de jovens que chega todo ano ao mercado de trabalho. 4.SUIPA E OUTROS BICHOS – Não conheço os envolvidos, mas sinto que o problema que acomete a SUIPA no Rio de Janeiro é a falta de recursos para dar, aos animais abandonados, o tratamento adequado. Os bichos chegam à instituição aos milhares e em estado deplorável. Apesar dos poucos recursos, a SUIPA recebe-os todos e ministra-lhes o tratamento que lhe é possível – e não o ideal. Há setores da vida nacional que tratam de gente, com a mesma falta de meios, prestam serviços deficientes e talvez não choquem tanto a opinião pública. Vamos punir todos (humanos ???) que abandonam seus animais indefesos, sem dó, piedade e responsabilidade. Um chip nos bichos seria uma boa forma de ajudar a SUIPA a cumprir sua missão humanitária.

domingo, 16 de maio de 2010

FUTURO DO EMPREGO ESTÁ NOS VELHOS

1.AS TENDÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO – para quem ainda está na ativa ou pretende ajudar os mais jovens a buscar seus caminhos profissionais, selecionei algumas reflexões sobre o futuro do mercado de trabalho. Não há muitas novidades e estas idéias já fazem parte de um certo consenso a respeito do cenário do mundo econômico que vem por aí... Ao longo dos tempos, as sociedades foram sofrendo mudanças nos setores produtivos que estão se acelerando. Do mundo eminentemente agropastoril que perdurou por milênios passamos às sociedades industriais que duraram uns poucos séculos. Destas, evoluímos para o estágio pós-industrial, no qual:
• predomina o Setor de Serviços, que cresce cada vez mais (sobre a Indústria, segunda empregadora e a Agricultura, cuja mão de obra decresce rapidamente);
• as tecnologias dominantes na sociedade são intensivas em Conhecimento,
• os serviços de tecnologias de informação e comunicação (TIC) são cada vez mais consumidos;
• os processos de produção repousam primordialmente na interação homem/homem;
• o principal fator de riqueza é a inovação, a produtividade intelectual.

Vivemos a era da Globalização, acelerada pelo desenvolvimento crescente das TIC e dos transportes. Assim:
• há cada vez maior permeabilidade entre os mercados dos diversos países, de modo que a competição não respeita limites territoriais;
• as sociedades agropastoris remanescentes (da África, por exemplo) são colocadas em confronto com as sociedades industriais (emergentes do Terceiro Mundo) e ambas com as sociedades pós-industriais (dos países ricos), todas competindo pelos mesmos mercados mundiais;
• o deslocamento de fábricas e de centros de produção de serviços para países com melhores condições de competição torna-se corriqueiro, da mesma forma que as exportações e importações crescem rápido. É cada vez mais comum trabalhar em um país e morar em outro;
• As tecnologias fluem mais livremente entre as nações, ocasionando certa uniformização dos processos produtivos, só descontinuada quando ocorrem inovações que levam a um salto e novo estágio qualitativo;
• Para profissionais de ponta o mercado passa a ser planetário;
• O estabelecimento da Sociedade do Conhecimento (pós-industrial) é compatível com a Era da Globalização;
• A Globalização exige pesado investimento na ciência, na criação de tecnologias e seu desenvolvimento, no estímulo à criatividade e na promoção da educação, esta entendida, necessariamente, como educação continuada e universal – para todos, durante toda vida.
Os efeitos da Globalização sobre o mercado de trabalho são os mesmos decorrentes da aceleração do progresso derivada da evolução científico-tecnológica:
• postos de trabalho são destruídos em massa, principalmente nos setores industriais;
• Já na década dos 90, com a abertura da economia brasileira, a perda de postos de trabalho assumiu proporções dramáticas, pois a ocupação chegou a cair em 1,6 milhão de 1995 para 1996 !;
• A globalização, ao expor os setores produtivos à competição internacional, favorece as tecnologias poupadoras de mão-de-obra, que permitem redução de custos e maior competitividade;
• exige-se cada vez maior escolaridade e qualificação profissional dos trabalhadores para o exercício da mesma ocupação;
• proliferam novas profissões, principalmente nos setores econômicos mais dinâmicos;
• desaparecem ou tornam-se obsoletas muitas ocupações antigas e tradicionais.
Em termos de profissões, as mudanças podem ser depreendidas das alterações sofridas pela Classificação Brasileira de Ocupações – CBO que, em 1994, contava com 2.356 ocupações. Com os acréscimos derivados da evolução do mercado de trabalho, o número de ocupações registradas chega agora a 2.511.
Alguns exemplos bem conhecidos, na cadeia produtiva da manutenção de automóveis, são ilustrativos das descontinuidades do mundo do trabalho atual:
• Quando surgiu a nova geração de carros com informática embarcada, começou a derrocada das pequenas oficinas de conserto de automóveis e com ela a perda de muitos milhares de empregos, especialmente para jovens aprendizes das classes mais pobres que ali buscavam sua primeira ocupação e o início de uma carreira ou de um empreendimento;
• Esse vácuo está sendo parcialmente preenchido (em muito menor escala) pelas borracharias e pelas atividades de reciclagem (que tem futuro em todo mundo, principalmente nos grandes centros urbanos, desde que a pesquisemos e saibamos incentivá-la e apoiá-la);
• Um exemplo dramático: o pneu que não fura já foi desenvolvido e seu protótipo está sendo testado e aperfeiçoado para ter preço competitivo. Um salto tecnológico desse tipo aniquilará muitos milhões de empregos em todo o mundo (no caso, nas borracharias);
• A robótica, a nanotecnologia e muitos outros ramos similares estão aí presentes, para lembrar-nos cotidianamente do espectro do desemprego em massa.
As novas tecnologias, poupadoras de tempo e mão-de-obra, elevaram o desemprego a níveis que parecem irreversíveis - de tão duradouros - e expulsaram para o mercado informal uma série enorme de ocupações que não têm viabilidade econômica no setor formal, sujeito à regulação e à tributação.
Uma das tarefas mais importantes dos formuladores de políticas públicas de trabalho é a busca de alternativas para levar a uma sociedade sem desemprego, com informalidade em proporções normais (necessária em função da liberdade econômica, da criatividade do empreendedor e da inviabilidade econômica das empresas muito pequenas).
Caminhos Alternativos para um Mundo sem Desemprego seriam:
• Trabalho social voluntário incentivado (renúncia fiscal, precedências, prêmios etc);
• Trabalho social semi-voluntário de baixa remuneração;
• Trabalho em meio expediente;
• Trabalho Sazonal Regular;
• Trabalho na própria moradia ou em Centros próximos à moradia para idosos e pessoas com necessidades especiais (Teletrabalho);
• Políticas Compensatórias e Contraprestação Social (das “bolsas” doadas pelo Governo);
• Mobilização de desocupados em emergências, catástrofes naturais; grandes acidentes; epidemias, incêndios florestais;
• Trabalhos Sociais Permanentes: vigilância ambiental (proteção à flora e à fauna; combate à poluição etc); assistência aos desvalidos em geral; tarefas de segurança comunitária; atividades de prevenção em geral.

2.GRAY POWER – Nessa sociedade do porvir – é bom lembrar – predominará uma população de idade média sensivelmente mais alta do que a de hoje. Assim, uma boa idéia de quem teme as rápidas mudanças do mercado de trabalho é escolher carreiras cujas atividades tenham relação com as necessidades dos idosos. Aliás, os próprios velhos, com mais saúde, continuarão por mais tempo na força de trabalho. Inclusive porque faltará mão-de-obra: os jovens, sozinhos, não darão conta da oferta de empregos e das oportunidades de trabalho em geral. Outra mudança importante será a crescente força política da turma da terceira idade – o “gray power” vem aí, com força total...O envelhecimento populacional torna indispensável que se conheça melhor o idoso o que resultará na quebra de muitos mitos. Mas temos onde aprender: com as nações cuja pirâmide populacional já mudou há muitos anos, como o Japão e os países escandinavos. Um exemplo muito interessante vem da pesquisa de Bo G Eriksson, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, que estudou um grupo de indivíduos selecionados aleatoriamente, nascidos em 1901 e 1902, que foram acompanhados de perto durante suas vidas inteiras. Eriksson focou o período dos 70 aos 90 anos de idade dessas pessoas. E descobriu que as pessoas se tornam cada vez mais diferentes à medida que envelhecem, ao contrário do senso comum. "A percepção das pessoas idosas como tendo interesses, valores e estilos de vida semelhantes pode levar à discriminação baseada na idade. No entanto, descobri que, conforme as pessoas envelhecem, esses estereótipos se tornam cada vez mais falsos," diz Eriksson.

sábado, 1 de maio de 2010

FUTEBOL, VINHO, CUIDADOR - QUANTO MAIS VELHOS...

1. FUTEBOL DOS TEMPOS DE DON DON NO ANDARAHY – Vocês teriam coragem de sentar na cadeira de um dentista que se chamasse MARRETA ? Só louco, não é ? Pois o meu dentista é o Marreta, vulgo Ronald Alzuguir, meu amigão, colega de turma desde o 2º. Ano Primário até o 3º. Ano Científico. Primeiro aluno brilhante e orador de sua turma na Faculdade Nacional de Odontologia da UFRJ. Caráter íntegro, ser humano de primeira categoria. Graças a seus passes magistrais fui Campeão de Futebol e artilheiro (com 8 gols) dos Jogos Colegiais do Rio de Janeiro pelo Mello e Souza. Ronald foi craque profissional de futebol do Botafogo, do Guarani e do Flamengo, além de ”bilula” do Seu Nenem, no Americano, time famoso do futebol de areia em Copacabana. O apelido Marreta era por causa da sua virilidade natural como bom half back direito... É, naquele tempo a nomenclatura ainda era inglesa: eu, por exemplo, era center forward. Pois bem: só agora descobri que Ronald tem um blog no qual conta as histórias deliciosas que viveu com Garrincha, Newton Santos, Manga, Zezé Moreira etc de um futebol ainda romântico, que já não existe mais. Amantes do futebol, visitem http://marretapopular.blogspot.com que vocês vão gostar ! E foi vendo o blog do Ronald que me lembrei do primeiro jogo de futebol profissional a que assisti. Infelizmente, só recordo que estava com meu primo Amilcar em uma arquibancada de cimento e o jogo corria lá embaixo. Como Amilcar era vascaíno, o jogo só podia ser do cruzmaltino... Mas é só. Porém do segundo jogo a que assisti, desse eu me lembro muito bem: Flamengo x Vasco, 1944, campo da Gávea, decisão do tricampeonato para os rubro-negros. Na época eu era flamenguista. Meu pai torcia pelo Flamengo...Quem me levava aos jogos era um amigo dele, Dr. Borges, da sua roda diária de pôquer – todas as noites, religiosamente, tinha jogo na minha casa. Dr. Borges, sempre de charuto na boca, me pegava pela mão e lá íamos pela Visconde de Pirajá, onde morávamos, até o Jardim de Alah. Passado o canal, chegávamos ao ponto do vendedor de laranjas, com aquela maquininha de manivela e roda dentada que ia tirando a casca da fruta em tiras fininhas, certinhas. E que tinha um canivete muito afiado, com o qual cortava a parte superior do fruto já descascado e sempre muito doce, gostoso como não se vê mais...Chupando laranja, embicávamos para dentro da favela, a famosa Praia do Pinto, cortando caminho. Passávamos pelas balisas impecáveis do campo de terra do glorioso time da favela – o Águia Futebol Clube – e pouco depois chegávamos às roletas do Flamengo. Dr. Borges era sócio-proprietário e ficávamos na Tribuna de Honra. Ao lado, à direita, acima da Tribuna, as cabines de rádio e os locutores célebres da época: Ary Barroso, Gagliano Neto, Oduvaldo Cozzi. Meus olhos brilhavam de encantamento. Entraram em campo pelo Flamengo nesse dia: Jurandir, Newton e Quirino; Biguá, Bria e Jayme; Valido, Zizinho, Pirilo, Tião e Vevé. Naquele tempo os jogadores entravam com a bandeira do clube que minutos antes passeava pelo campo, levada por moças que iam angariando as moedas jogadas pelos torcedores para completar as eternas obras das gerais, lá do lado da Lagoa, no precário Estádio da Gávea. Antes ainda, entravam garotos-carregadores com grandes painéis de propaganda e davam a volta olímpica no campo anunciando Cafiaspirina, Urodonal, Leite de Rosas, Aspirina Bayer, Hidrolitol, Eucalol, Palmolive e coisas assim... Publicidade móvel, precursoras das placas atuais. O barulho era uma constante, com a Charanga do Jayme de Carvalho a todo pano. O técnico era Flávio Costa, conhecido como “o marido de Dona Florita Costa” – a qual mandava em tudo, até na escalação do time... Dizem ! Naquele dia, o maior jogador brasileiro de todos os tempos – na minha modesta opinião - o mestre Zizinho, deu um show de bola e nem o elegante center half do Vasco, um craque excepcional, o Príncipe Danilo Alvim, conseguiu pará-lo. Quase no final, apesar do Vasco ter um timaço, veio o gol de Valido, cabeçada da entrada da grande área, que o goleiro Barqueta não conseguiu pegar. Um delírio espantoso, Flamengo tricampeão, uma loucura total ! Dr. Borges pediu que eu corresse e pegasse a bandeira de córner do lado esquerdo das balisas onde o Barqueta levou o golaço do Valido. E assim foi feito...Eu tinha 7 anos e corria muito rápido. (O neto do Dr. Borges, Getúlio Brasil, que foi Vice-Presidente do Flamengo, me disse recentemente que essa bandeirinha, essa peça histórica de nosso futebol, deve estar com seu irmão mais velho, o Áldano). Na volta, mais Praia do Pinto, já em festa, com as “tendinhas” cheias de torcedores “enchendo a cara” de cachaça e cantando “Flamengo, Flamengo, tua glória é vencer...” Inesquecível ! Muito bom, como diz a canção: “Nossa vida era mais simples de viver. Não tinha tanto miserê, nem tinha tanto ti-ti-ti. No tempo que Don Don jogava no Andaraí...”
2.CUIDADORES CUIDADOSOS – Preocupa-me muito o despreparo de nosso País para o envelhecimento acelerado de nossa população. Em blog anterior, observei que as Unidades de Polícia Pacificadora - UPPs do Rio de Janeiro são acompanhadas de várias melhorias sociais para as favelas arrancadas do poder dos traficantes, mas nunca reservam uma sala que seja para que os velhos da comunidade possam ali passar o dia, bem cuidados e protegidos, enquanto seus parentes mais jovens vão trabalhar. Uma lacuna grave, sanável a baixo custo, pois também assinalei que os próprios idosos se entreajudariam, de modo a minimizar despesas com profissionais. Agora, ao removerem favelados das áreas de risco para outras moradias, dignas e seguras - providência que, como as UPPs, todos fluminenses devem aplaudir com entusiasmo - as autoridades continuam omitindo esse componente de política social que considero essencial ao bem estar da população idosa e facilitadora da empregabilidade de seus filhos e netos. Em contrapartida, gostei muito de ler no NEW YORK TIMES que, nos Estados Unidos, em 2008, 28% dos 3,2 milhões das cuidadoras domésticas de idosos americanos tinham 55 ou mais anos de idade. Estima-se que em 2018 o número total desse tipo de trabalhador, nos lares e instituições dos Estados Unidos, chegará a 4,3 milhões. E que o contingente das cuidadoras com 55 anos e mais vai crescer 30%. Sua trajetória profissional é geralmente a mesma: zelaram por algum familiar idoso e após sua morte ingressaram no ramo. Têm grandes vantagens comparativas: conhecem o estresse familiar nessa situação, respeitam a idade, não olham a velhice como uma doença, trocam experiências com os idosos e há mútua empatia. Sua limitação, em geral, é física: não poderem tratar de doentes que precisam erguer seguidamente. No mais, são ótimas. Carinhosas. Cuidadosas. Esse fenômeno, verificado nos Estados Unidos, ainda tem outra vantagem importantíssima: cria empregos para idosos, possibilitando que o conceito de “envelhecimento ativo”, muito praticado também na Europa, seja viabilizado. No Brasil, por exemplo, a empregabilidade da turma da terceira idade é praticamente nula, qualquer que seja sua qualificação e não se veem políticas públicas realmente eficazes para minimizar essa exclusão laboral, com a qual o País perde muitos braços e cérebros ainda aptos a contribuir para o desenvolvimento nacional. Tema que espero não faltar quando da tão ansiada reforma da legislação trabalhista brasileira.
3. UPPs RENTÁVEIS – Boa notícia para os cariocas. Os imóveis desvalorizados, por estarem situados nas áreas de metástase urbana, causada pela proximidade de favelas, estão recuperando quase imediatamente seus valores originais após serem resgatadas pela implantação das UPPs. O aumento da arrecadação futura, pelo Estado, do respectivo Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), vai pagar boa parte do projeto. O restante, o aumento do ICMS do comércio revitalizado nessas mesmas áreas acabará cobrindo a médio prazo. A Política Estadual de Segurança deu tiro certeiro na mosca, com bala de prata !
4. EUROTURISMO EM CRISE – A crise bateu forte, principalmente, nos países europeus que dependem muito do turismo: Espanha, Grécia e Portugal. Caíram os fluxos turísticos provenientes dos Estados Unidos e de outras nações européias e a despesa média unitária dos viajantes e o impacto foi desastroso. O desemprego espanhol já supera 20% e em Portugal está em 10,5%. Essa taxa portuguesa é inédita, Portugal sendo historicamente um país de baixos níveis de desocupação. Tive um amigo português, humilde, trabalhador braçal, que ocasionalmente desempregado se queixou a mim, desesperado, dizendo: Doutor, estou perdido, porque a única coisa que sei fazer é trabalhar ! O esforço português se concentra nas exportações para os países africanos lusófonos, que estão crescendo aceleradamente Aliás, Portugal aposta muito no mercado da nova classe média brasileira para comprar seus maravilhosos vinhos, pois nosso País consome só 2 litros por habitante por ano e há larga margem para crescimento. Portanto, agora no inverno, vamos ajudar a indústria vinícola dos “patrícios”, minha gente !

sexta-feira, 23 de abril de 2010

BRASÍLIA E VOLEIBOL EM FESTA DAS ESTRELAS

1. CINQUENTA ANOS DE BRASÍLIA - A moreníssima Vera Lúcia Ferreira Maia jogava voleibol no Fluminense, frequentava o Arpoador e era filha da famosa Nora Ney, uma das mais importantes cantoras de nossa música romântica. Verinha disputou Miss Guanabara pelo Fluminense e venceu. No Concurso de Miss Brasil, tirou o terceiro lugar. Nada mau, pois a primeira colocada foi a lindíssima gaúcha Ieda Maria Vargas, que depois ganhou o Concurso de Miss Universo. Vera, aliás, também representou nosso País no Concurso de Miss Mundo, do qual foi semifinalista. Lembro-me disso, a propósito dos 50 anos de Brasília, aonde o timaço de voleibol do Fluminense foi jogar na inauguração do Ginásio de Esportes do Iate Clube, no início dos anos 60. Ficamos hospedados no Brasília Palace Hotel, perto do Palácio Presidencial e conhecemos a Capital ainda com os barracos do Núcleo Bandeirante e muitas obras inacabadas. Tudo era feito com muita pressa e às vezes a qualidade deixava a desejar. O belo Ginásio que inauguramos, com uma vitória estrondosa, nos impressionou muito por ser sua quadra enterrada, bem abaixo do nível do solo. Coisas da arquitetura inovadora de Brasília. Na Capital, participamos de diversos eventos esportivos e culturais. Lembro de uma palestra do Professor Hermógenes e suas duas filhas, também professoras de Hatha Ioga, atividade da qual foram pioneiros no Brasil, com sua Academia localizada na sobreloja envidraçada de um prédio na Rua Visconde de Pirajá, próximo à esquina com a Rua Gomes Carneiro. Em outra das noites, convidados exatamente pela Miss Fluminense e Miss Guanabara, nossa amiga Vera Lúcia, fomos a uma festa no Clube do Congresso, onde o Presidente da República, João Goulart, recepcionou as três primeiras colocadas do Concurso de Miss Brasil que, naquela época, era um evento prestigiadíssimo. Uma festa magnífica, só que, ao seu término, de madrugada, não havia táxi, ònibus ou qualquer transporte que nos levasse de volta ao Hotel. E assim, como bons atletas, andamos infindáveis quilômetros na madrugada da NOVACAP, ainda sem infraestrutura. Inesquecível ! Poucos meses depois, fomos surpreendidos com a notícia de que o Ginásio que acabáramos de inaugurar virara piscina...de água barrenta. Defeitos de impermeabilização e rebaixamento do lençol haviam causado a invasão do Ginásio pelas águas subterrâneas. Típico dos tempos pioneiros de Brasília, marco inicial da “Marcha para o Oeste” e da inflação galopante que nos vitimaria por muitos anos. Em compensação, o Brasil pode orgulhar-se de ter o mais lindo e monumental conjunto arquitetônico moderno do mundo. Viva Brasília ! Mas não nos esqueçamos, jamais, que dia 21 de abril é o Dia do Alferes Tiradentes e que 22 de abril o Dia do Descobrimento do Brasil. Omissão imperdoável !
2. VOLEIBOL DE ESTRELAS - É impossível deixar de falar na Superliga de Voleibol Feminino, vencida pelo OSASCO com grandes méritos, especialmente considerando o valor das equipes suas adversárias, em especial São Caetano (da Semifinal) e Rio de Janeiro (da Final). As últimas partidas, de elevado nível técnico, foram um desfile de estrelas de primeira grandeza, com jogadas emocionantes e que ressaltam a pujança do voleibol feminino brasileiro. Aliás, há algum tempo, as partidas femininas do esporte da rede se tornaram muito mais interessantes que as masculinas. Os pontos são mais disputados, a bola custa a cair, há mais jogo. No masculino praticamente só existe ataque, desde a violência do saque até as cortadas fulminantes, indefensáveis, o que torna o jogo monótono, sem sequências mais longas. Mas voltando às moças, além de termos algumas das melhores jogadoras adultas do mundo, o processo de renovação é impressionante, pela qualidade das atletas jovens. O paradigma desse rejuvenescimento permanente esteve representado – e muito bem – pela craque Natália do OSASCO que, de forma espetacular, alia força, disciplina tática e requinte técnico. Está de parabéns a CBV - Confederação Brasileira de Voleibol, sob a direção de Ary Graça, cujo bom trabalho de renovação e manutenção preserva nossa hegemonia mundial !
3.FMI AVALIA A ECONOMIA GLOBAL E BRASILEIRA – Saiu a avaliação econômica de abril pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O relatório estima o PIB do Brasil crescendo 5,5% em 2010, acima da média mundial, que ficaria em 4,25%. Mas alerta para o perigo da inflação em nosso País, que na minha opinião deveria aumentar seus juros imediatamente. Outra complicação é o nosso deficit externo, que só não incomoda muito a curto prazo porque temos grandes reservas, acima de US$ 200 bilhões. Em termos gerais, a recuperação mundial excede as expectativas, mas os países ricos crescerão menos que as nações em desenvolvimento. O combate ao desemprego é visto como o grande desafio do futuro próximo e o FMI preconiza maiores investimentos em educação e qualificação profissional para ampliar a empregabilidade das populações trabalhadoras. Outro ponto que exige atenção é a regulamentação mínima necessária para impedir que os agentes financeiros repitam os crimes que cometeram e levaram à crise. Mesmo sendo um liberal, creio que devem existir regras acauteladoras. Agir só "a posteriori" nem sempre é suficiente...
4. DIVERSIDADE ESPORTIVA – Voltando aos jornais franceses, dos quais eu gosto tanto e que me foram trazidos de Paris pela minha filha Cláudia, quero comentar o variado conteúdo do L`ÈQUIPE, que se intitula “Le Quotidien du Sport et de l`Automobile”. Admiro enormemente a diversidade esportiva dos países desenvolvidos, que contrasta com a mesmice brasileira, onde quase tudo é futebol...dentro e fora de campo. Últimamente, até que o voleibol, o basquete, a natação, o judô e o atletismo ganharam algum espaço, o que se deve ao trabalho eficiente do COB, dirigido por Carlos Arthur Nuzman que, sendo inteligente, pode entender bem como a diversidade esportiva amplia e democratiza as oportunidades dos jovens para se realizarem nessa importante atividade humana. Mas ainda é pouco e tenho esperança que as Olimpíadas do Rio funcionarão também nesse sentido, mostrando novos caminhos, modalidades ainda desconhecidas no Brasil e para as quais certamente temos material humano potencialmente apto. Confesso que minha vida seria menos feliz se eu não tivesse tido a chance de preencher essa dimensão de minha personalidade, através da qual eu me expressava, construía uma velhice sadia e com uma rotina atraente. Por acaso, achei um esporte ao qual me adaptei e no qual fiz carreira, mas muitos outros de minha geração devem ter perdido essa oportunidade pois o “seu esporte” simplesmente não estava disponível no Brasil. Nas 18 páginas do L`ÈQUIPE há 9 dedicadas ao futebol, 1 ao rugby, 1 ao basquete, 1 à publicidade, 1 ao golfe, sendo as 5 restantes divididas entre inúmeros esportes: voleibol, surf, halterofilismo, atletismo, curling, boxe, tênis, iatismo, hóquei no gelo, judô, ciclismo, pentatlo moderno, handebol, automobilismo, motociclismo, ski alpino. Retrato do rico mosaico esportivo francês. Uma delícia para um esportista curioso e eclético ! A posição de supremacia do futebol é quase permanente, mas a distribuição entre os demais esportes varia de acordo com suas temporadas e as estações do ano, mas há modalidades para todos os gostos... Essa espécie de desenvolvimento é que precisamos conquistar para o Brasil, gigante demográfico e étnico que pode ser uma grande potência esportiva. E a Educação tem um papel primordial a desempenhar nessa desejável evolução.

domingo, 18 de abril de 2010

CIGANOS, EMPREGO E ALFABETIZAÇÃO

1.CIGANOS PERSEGUIDOS – Voltando de breve viagem de trabalho a Amsterdam, minha filha Cláudia, na escala em Paris, conhecendo os gostos do pai, comprou logo a banca de jornais inteira: LE MONDE, LE FIGARO, LIBÉRATION e L´ÈQUIPE. Bem, L`HUMANITÉ ela sabe que não, embora eu esteja muito curioso em relação às conclusões que sairão de um Congresso da Juventude Comunista que está acontecendo em Gennevilliers, no qual o lema dos congressistas é “les jeunes communistes veulent s`ancrer dans le réel” (os jovens comunistas querem se ancorar na realidade). Creio que a realidade nua e crua aconselha-os a abandonar imediatamente o Partido (PCF) e seu projeto de poder... Mas esse seria outro assunto. O fato é que me imaginei numa bela manhã de primavera, sentado ao sol no Jardin du Luxembourg, perto daquela esquina do Boulevard Saint Michel com a Rue Soufflot, que acaba lá em frente ao Panthéon, e comecei a ler aqueles jornais inspiradores. O resultado com o LE MONDE foi de tristeza e merece um comentário. Em seu editorial, de 11/12 de abril de 2010, está a denúncia explícita da discriminação de que são alvo os ciganos na Europa e de suas degradantes condições de vida. O jornal considera que a população Rom, com um total de 12 milhões de pessoas, foi a que mais sofreu com a recente crise econômica. Cerca de 90% dos gitanos já abandonaram o nomadismo, mas seu acesso à habitação, educação, emprego e serviços de saúde não progrediu nos últimos 20 anos e a crise foi mais uma boa desculpa para não investir no seu atendimento. Depois de 2005, com a expansão da União Européia, que passou a abrigar 9 milhões de zíngaros entre seus cidadãos, o livre deslocamento dentro de seu território ocasionou seu afluxo ampliado em direção aos países mais a ocidente, que só agora se preparam para acolhê-los de modo adequado. Abordei anteriormente, neste blog, o caso brutal da jovem mãe cigana de Jundiaí, que teve seu bebê - que ela ainda amamentava ! - arrancado à força de seus braços e “confiscado” para um orfanato, por ordem judicial. Notei que nenhuma ONG se levantou em seu favor. Fui pesquisar no Google e constatei que mesmo no plano internacional poucos se interessam pela salvaguarda dos direitos desse povo. Mas surgiu uma esperança, quando soube que o financista George Soros, há 25 anos, financia projetos em favor dos Manouches, através do seu OPEN SOCIETY INSTITUTE e que o Governo Obama atribui prioridade à inclusão social dos Romanichels e pressionará a Europa a assegurar os direitos dessa etnia. Como a Romênia foi o país de origem da maioria de Tziganes que emigraram, nos últimos anos, para a França, os dois países estão fazendo um oportuno acordo para reprimir o tráfico de pessoas. Povo tão perseguido, sofrido, de cultura tão original e interessante, merece melhor sorte e o apoio universal. E que o espírito totalitário que aflorou em Jundiaí seja definitivamente banido de nosso território, onde normalmente se pratica a tolerância e a solidariedade.
2. EMPREGO COM FORÇA TOTAL - Em março de 2010, com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, foram criados 266.415 novos empregos no Brasil. No primeiro trimestre, o acumulado é de 657.259 novos postos de trabalho abertos. Em números absolutos, os saldos positivos dos setores de Serviços (106 mil), Indústria de Transformação (72 mil), Construção Civil (39 mil) e Comércio (29 mil) são alentadores. Mas não se deve esquecer que estamos, em parte, recuperando o terreno perdido em 2009: primeiro, ocupando uma grande capacidade ociosa gerada na crise; de outro lado, suprindo muitas demandas reprimidas de então. Esgotado esse acelerado processo compensatório, o crescimento do emprego já não será tão portentoso quanto o foi neste primeiro trimestre de 2010. Em março houve ainda o crescimento de 4,37%, no salário médio real de admissão, muito influenciado pelo aumento do salário mínimo acima da inflação. Aliás, a inflação aumentou e vem aí aumento de juros, que contribuirá para frear a euforia existente. Mas 2010 promete algo como 1,8 milhão de novos empregos e um crescimento de mais de 5% no Produto Interno Bruto (PIB). Excelente perspectiva...
3. ÓCULOS DE LEITURA - Em matéria inserida na edição de 16 de abril de 2010, do JORNAL DO BRASIL, o Ministro da Educação Sergio Haddad anunciou que “por meio de uma parceria feita com o Ministério da Saúde, vão ser distribuídos óculos de grau.......para aqueles estudantes com alguma deficiência visual” que a partir de agora frequentem o BRASIL ALFABETIZADO, programa de alfabetização mantido pelo Governo Federal e que, segundo o Ministro, tem 1,9 milhão de adultos e jovens matriculados, dos quais 1,6 milhão frequentam efetivamente as salas de aula. Uma boa medida, a que pretende agora executar o Governo Federal. Dentre minhas recordações, existe uma relacionada a esse tema que me traumatizou... Visitava uma Prefeitura do interior e o Presidente da Comissão Municipal (COMUN) do MOBRAL, com grande espírito de iniciativa, foi-me mostrando suas inúmeras realizações. Realmente seu trabalho era muito abrangente e criativo. Em determinado momento disse-me, entusiasmado, que resolveu os problemas de visão dos nossos alunos de modo muito simples: fez uma campanha, pedindo aos demais munícipes que doassem seus óculos de grau usados que não mais lhes serviam. “Aí - disse-me ele entusiasmado - a turma do MOBRAL chegava na COMUN, ia provando os óculos, até que achasse um com o qual passavam a enxergar melhor e ganhavam de presente...” Provavelmente por essas e por outras é que se diz que de boas intenções o inferno está cheio.... O fato é que não tardei a tomar a decisão e, em 1978, o MOBRAL passou a doar óculos aos seus alunos, em uma iniciativa pioneira... A meta, que era distribuir 100.000 (cem mil) óculos, foi ultrapassada graças às economias conseguidas ao longo da execução do projeto. Lendo o Relatório do MOBRAL para o período 1974-1978, sabe-se que “em 1978 foi implantada a Campanha Ver... Ler... Viver, de doação de óculos, em 833 municípios, cobrindo todas as Unidades da Federação e atendendo a 107.000 alunos. Além desses, grande número de portadores de visão subnormal, cuja solução independe de uso de óculos, foi examinado e, de acordo com as possibilidades locais, encaminhado a tratamento médico. Os óculos são doados pelo MOBRAL e os exames oftalmológicos pagos pelo INAMPS e feitos por médicos mobilizados pelas Coordenações Estaduais e Territoriais e pelas Comissões Municipais.” Já lá se vão 32 anos...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

RIO VACINADO REMOVE FAVELAS

1. RIO DE JANEIRO: 2010 OU 1904 ? - Acabo de ler a excelente tese de doutorado da Professora Carla Mary da Silva Oliveira, intitulada “Saudades d’além mar: um estudo sobre a imigração portuguesa no Rio de Janeiro através da revista Lusitania (1929-1934)”. E não é que, com sua descrição do ambiente de nossa cidade àquela época, me dei conta de que vivemos, hoje, dias muito semelhantes aos do remoto início do século XX ? A tese enfatiza que “...a reurbanização da área central da cidade, com o bota-abaixo do prefeito Pereira Passos; as campanhas sanitaristas de Oswaldo Cruz, que levariam à Revolta da Vacina... Todos estes fatos históricos, cada um a seu modo, convulsionaram de forma marcante a cidade, deixando expostas suas mazelas sociais e a extrema desigualdade......”. Por incrível que pareça, um século depois, nosso Rio de Janeiro vive um momento similar e precisaria repetir a cruzada em favor da vacinação obrigatória, liderada por Oswaldo Cruz e a gestão urbanística corajosa de Pereira Passos ao estilo “bota-abaixo”, combatendo a “metástase urbana”, demolindo cortiços e barracos insalubres. Heróis do progresso, muito criticados pelos seus contemporâneos, a sabedoria de ambos foi consagrada pelo tempo. Hoje, um número pequeno de pessoas (20% do esperado) está tomando a vacina contra a gripe suína, havendo muitos recalcitrantes que duvidam dos seus benefícios e até acreditam em hipotéticos malefícios, com base em teorias de conspiração absurdas que andam circulando na internet. Por outro lado, já há um considerável número de críticos à sábia disposição do Prefeito Eduardo Paes para remover favelas em áreas de risco, a começar pelo Morro dos Prazeres e parte da Rocinha, onde acabam de morrer dezenas de pessoas. Com os avanços da ciência e da tecnologia e seus frutos visíveis para a Humanidade, duvidar de uma vacina que já foi aplicada em centenas de milhões de seres humanos é o cúmulo do obscurantismo. Da mesma forma, apoiar o refrão demagógico e populista, de que “favela não se remove, se urbaniza”, quando o Muro de Berlim já caiu há duas décadas e soterrou esse tipo de ideologia, é um desafio à inteligência da opinião pública. Vivamos no século XXI, minha gente ! 2.O CASARIO E AS GENTES DA VELHA IPANEMA - Dizem os historiadores que o Loteamento Villa Ipanema acabou de vender todos os terrenos em 1927, ano que se considera como o da consolidação do novo bairro. A primeira geração de casas de Ipanema foi erguida principalmente no final dos anos 20 e na década de 30. A Equitativa de Seguros Gerais, uma estatal, foi uma grande incorporadora dessa fase pioneira e construiu em 1939 os amplos prédios geminados da Rua Visconde de Pirajá 300 (futuro Colégio Bernadette) e 302, que foi nossa moradia até 1973. Algumas casas do bairro eram tradicionais, térreas, com porões; outras de dois andares, mistas, sendo a maioria assobradada, com loja no piso térreo e a moradia, geralmente dos donos do negócio, no andar de cima. Havia também muitas vilas e uns raros prédios mais altos. Os edifícios de que me lembro e existem até hoje são: o número 3 da Visconde de Pirajá, na esquina com Gomes Carneiro; aquele em que morou o Walter Clark, de três andares, na Visconde de Pirajá 114, e o Edifício Estrela, mais alto, com 5 andares, do lado par da mesma rua, próximo à Praça N.S. da Paz. A maior das vilas de Ipanema, embora um pouco modificada, também existe até hoje e fica na Barão da Torre 100. Lá moraram Domingos Vaz Afonso e sua mulher Lurdes, amigos de meus pais por dezenas de anos; Celso Martins, meu colega no Colégio Mello e Souza; Demétrio e José Lucas, meus companheiros no Fontainha. Os construtores, mestres de obras, eram em geral portugueses e dois deles, amigos de meu pai: Sr. Marques, que morava na Barão da Torre e Sr. Jucundino, que morava na Sadock de Sá. A maioria dos operários também vinha da “terrinha”. Os mais pobres moravam na Vila Carmo - encostada ao morro do Cantagalo, no canto da Rua Nascimento Silva. Era um conjunto de casas populares precárias, de madeira, com instalações sanitárias coletivas e ruas de terra. Viviam ali os carvoeiros, carregadores, lavadeiras, carroceiros, tropeiros (ainda havia equinos para trabalhos no bairro), tripeiros, leiteiros, criadores de aves (principalmente galináceos e pombos), porcos e vacas, limpadores de fossas, vendedores ambulantes, entregadores, jardineiros, trabalhadores das pedreiras e das contruções – enfim, o lúmpen-proletariado. Outros, ainda mais pobres já iniciavam, também, a ocupação do morro do Cantagalo com uns poucos barracos. Ipanema foi um bairro com muitos imigrantes em sua origem, o que explica seu caráter visceralmente cosmopolita e o fato de servir de interface pioneira com as inovações sociais e culturais que chegavam do exterior. Além da maioria de portugueses, havia também numerosos árabes (sírios e libaneses), judeus da Europa Central e Oriental, italianos, alemães, austríacos, japoneses e espanhóis. Ali viviam também uns poucos ingleses, que formavam uma classe à parte, da elite industrial colonizadora, composta pelos executivos e funcionários graduados da Light and Power, do Moinho Inglês (Rio de Janeiro Flour Mills and Granaries), da Telefônica etc. E, naturalmente, havia os brasileiros: da classe rica ou média ascendente e alguns funcionários públicos federais do alto escalão, todos à busca de sossego e de uma vida de praia, no bairro distante e despovoado. Os imigrantes das várias procedências conviviam intensamente entre si, em paz. Eram todos amigos, apesar da eclosão da II Guerra Mundial, inaugurando uma tradição de tolerância mútua que no Brasil geralmente teima em ignorar os conflitos internacionais. Naquela manhã da rendição nazista, em 8 de maio de 1945, o fim da II Guerra Mundial na Europa, Ipanema acordou às seis horas, com os rádios nas alturas, tocando a Marselhesa e todos indistintamente comemoraram. Para eles, não era a vitória deste ou daquele País, mas sobretudo a volta da tão esperada Paz, o despertar de um pesadelo, o fim dos racionamentos e do gasogênio, o poder arrancar e jogar fora aqueles panos negros horríveis com os quais, todas as noites, cobríamos nossas janelas que davam para o mar, para que o inimigo não visse nossas luzes, seus alvos jamais atingidos. Talvez os imigrantes se juntassem defensivamente, à época, por se sentirem discriminados. Os brasileiros ricos, em geral, “não se misturavam”- como eles próprios costumavam dizer- e isso era visível nas primeiras décadas do cotidiano de Ipanema. Havia exceções, mas em regra seus filhos – coitados ! - ficavam em casa, presos, enquanto nós, “os meninos da rua” – com quem eles não podiam conviver - aproveitávamos tudo que aquele paraiso nos oferecia: praia de jogar bola, nadar, “pegar jacaré” e puxar arrastão; chácaras de subir em árvore e pegar passarinho; terrenos baldios com cabanas, “guerras” de mamona e muitas aventuras; calçadas de andar de bicicleta, pular carniça ou amarelinha, jogar bola de gude ou pião; os passeios de bonde até o Parque da Cidade; a Lagoa Rodrigo de Freitas maravilhosa, com pedalinhos, areia e tudo, futebol e voleibol, muitos peixes e seus flamboyants. Aquela discreta separação, que era disfarçada pela cerimônia natural que, à época, as pessoas mantinham no trato diário, foi-se esmaecendo no Governo Getúlio Vargas e definitivamente desfeita pelos novos costumes de após-guerra. Na origem da mudança, a contribuição da Revolução de 1930, que implantara uma ditadura política em 1937 mas em contrapartida dera um empurrão positivo no proletariado urbano e estimulara a mobilidade social, a base de um País mais democrático socialmente. É claro que havia exceções desde sempre e muitos filhos das famílias mais ricas conviviam sem restrições e usufruíam Ipanema em sua integralidade. Era o caso, por exemplo, do Gil Carneiro de Mendonça, atleta, jogador de futebol e voleibol, futuro Presidente do Fluminense. Apesar dessa mentalidade separatista, Ipanema sempre foi o berço privilegiado dos movimentos em favor da liberdade, da distensão e da tolerância; onde a praia pública sempre funcionou como um espaço inevitavelmente democratizante, ao qual nenhuma discriminação conseguia resistir. Mesmo a maior soberba inclina-se à mesmice simplificadora do calção e do maiô. Embora fosse proibido andar sem camisa até se chegar à Vieira Souto – essa era uma postura municipal que resistiu aos anos 40 e parte dos 50 ! - uma vez na areia ou na água, éramos todos iguais. Havia algumas casas de alto padrão, de famílias muito ricas, que impressionavam a garotada de Ipanema. Uma era na Vieira Souto, da família do Marcio Moreira Alves, com um campo gramado de voleibol na frente. Outra, era a casa da família Adler de Aquino, na esquina da Montenegro com a praia, onde havia um enorme campo de futebol. Eram redutos intransponíveis para os garotos comuns e muito invejados pelos animados jogos lá realizados. Não sei se pelo fato de vivermos sob uma ditadura ou porque a entrada do Brasil na guerra exigia maior controle social, o certo é que tínhamos que pagar uma taxa anual para possuir um aparelho de rádio; éramos obrigados a licenciar nossas bicicletas e a matricular nossos cães na Prefeitura. Presumivelmente, o Governo saberia de toda nossa vida. E os fiscais, o “rapa” e a “carrocinha” eram implacáveis com os esquecidos. Mas no geral era uma época maravilhosa.
3.O CALCULISTA - Próximo à passagem do cargo para seu antecessor, o então Prefeito Cesar Maia disse que “cálculos não eram o forte de Eduardo Paes”. Agora, Paes provou que não é bem assim e devolveu a gracinha com uma informação acachapante: fez as contas direitinho e informou que Cesar Maia, quando Prefeito, gastou no Morro dos Prazeres verbas de R$ 78.000,00 (setenta e oito mil reais) por barraco existente na favela àquela época, em obras cosméticas, que não resolveram o problema essencial da comunidade: a segurança de suas construções. O gasto foi no âmbito do projeto Favela Bairro, que acabou atraindo mais moradores para vários locais que talvez ainda venham a desabar. Com os 78 mil reais por barraco, dessas obras ornamentais de Cesar Maia, seria possível construir duas casas populares de bom padrão, em terreno totalmente urbanizado na periferia carioca. Mesmo não sendo tão bons nos cálculos que interessam à eficiência da gestão pública, os demagogos são calculistas refinados, porque seu objetivo único é o voto dos incautos e nisso eles acertam sempre...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

INTERVENÇÃO ESTATAL NA PRAÇA DOS SONHOS

1.PRAÇA GENERAL OSÓRIO – O centro nervoso de Ipanema gira em torno da Praça Nossa Senhora da Paz. Mas nem sempre foi assim. Talvez pela proximidade com Copacabana, o bairro mais importante da Zona Sul, a Praça General Osório (antiga Praça Floriano Peixoto) era o polo comercial de Ipanema nas primeiras décadas de sua ocupação,. Em volta dela e nas suas proximidades estavam as padarias (Brasil e das Famílias); o Velo Esportivo Helênico (clube de ciclismo); os colégios (Fontainha, Guanabara e mais tarde o Mello e Souza feminino e a escola pública José Linhares); os bares (Renânia e Ipanema); o armazém chique (Casa Osório); a tinturaria (Geisha, do Seu Oushida); a banca de jornais (do Chico) em frente ao ponto do bonde; as papelarias (Casa Mattos e Casa Umary); os bilhares (Moderno, onde hoje é o Supermercado Zona Sul); os armarinhos e lojas de confecções (Casa Madame Rosa, Casa Miro); as sapatarias (a Renomé, do Seu Adolfo e a Futurista); a bela Confeitaria Pirajá e o saudoso Cinema Ipanema. Fator importante de progresso, a linha de bondes há anos já havia sido retirada da praia – que ganhara duas pistas, com um canteiro central – e passara para a Rua Visconde de Pirajá (antiga Rua 20 de Novembro). Na Rua Teixeira de Melo, posteriormente, ficou o ponto final do bonde 14, que entrava até um rodo na Rua Barão da Torre e fazia o retorno para Copacabana e Botafogo. Muitos dos boêmios do bairro se reuniam no Renânia (depois chamado Jangadeiros) e no Café e Bar Ipanema – que não fechava nunca - para varar a madrugada, bebendo e falando mal do governo ditatorial de Vargas até o nascer do sol lá pelos lados do Arpoador, atacando os olhos de toda aquela fauna de notívagos. Contava-se que Chico Brito, boêmio famoso de Ipanema, certa madrugada, em plena Praça General Osório, aos berros, urinara no retrato de Getúlio Vargas, que retirara à força de uma casa comercial das vizinhanças. Na ditadura, todos os estabelecimentos eram obrigados a ostentar o retrato oficial, devidamente emoldurado, do Presidente, só retirado em 1945, quando o Estado Novo teve fim. A praça era notável pelo Chafariz das Saracuras, uma obra do Mestre Valentim, feita em 1795, ainda no Brasil Colônia e que para lá foi transferida em 1917, do Convento da Ajuda, no Centro. O nome devia-se a ter a bacia de cantaria ornamentada por quatro tartarugas e quatro saracuras de bronze, depois substituídas por suas réplicas. A Praça era bem arborizada, com muitas amendoeiras, ficus arbustivos e quatro grandes gramados laterais, um em cada esquina. Foi neles que os garotos de Ipanema como o Walter Clark, o Geraldinho, o Alfredo Ferrugem e muitos outros, como eu, deram seus primeiros chutes, no futebol quase diário, sempre perseguidos pela DGI (sigla, creio, de Delegacia Geral de Investigações) - a polícia motorizada que confiscava nossas bolas, pelo crime (???) de praticarmos o esporte bretão em um parque público. Havia outras forças policiais no Rio de então: a Polícia Municipal, de farda cinzenta; a Polícia Civil, de farda verde e a Polícia Especial, que funcionara como Polícia política de Getúlio Vargas, chefiada por Eusébio de Queirós e subordinada diretamente a Filinto Mueller, formada por homens fortíssimos, com seus chapéus vermelhos, chamados sempre que a confusão era grossa. A comunidade ainda mantinha a Guarda Noturna, com seus apitos, para fazer rondas quando caía a noite. Mas só a DGI reprimia nosso futebol. Não parecia ter muito o que investigar, numa cidade então pacífica e ordeira. Corríamos muito e eles surgiam do nada, em suas camionetes sorrateiras, para conseguir ficar com a nossa bola (essa, a punição pelo crime). Missão muito difícil – eles não eram muito “bons de bola” nem de corrida. Isso tudo acabou quando a Prefeitura resolveu fazer uma reforma radical na Praça General Osório. Até então, de dia, os grandes frequentadores da Praça éramos nós, os garotos das casas e colégios vizinhos, que andávamos de bicicleta e brincávamos por lá. Havia também a turma de rapazes mais velhos, que jogavam bola na praça: Rubens Japonês e seu irmão Silvio Borboleta, filhos do Seu Oushida da tinturaria, Sanny, Toninho Barriga, Cesário, Bigodinho, os irmãos Seabra, meu primo Zeca Paes e muitos outros. A noite, é claro, a praça muito escura era dos casais de namorados. Menção especial para os Fuzileiros Navais, também muito visíveis em Ipanema, com sua farda vermelha e seus gorros com fitinhas pretas - namoradores prediletos das empregadas domésticas e que costumavam se meter em brigas memoráveis. A reforma da Praça deve ter custado caro: tudo foi remexido, fizeram lagos, espelhos d’água, canteiros, plantaram arbustos novos e acabaram com os gramados e o nosso futebol. Parece ter sido encomendado: uma pracinha diferente, sem grama, sem graça ... e sem garotos, é claro. Para ver e não para usar. Raramente voltamos lá, depois disso... A reforma da Praça General Osório, creio que no fim dos anos 40 ou início dos anos 50, pecou pela mesma razão pela qual se frustram muitos projetos brasileiros: falta de sintonia com o povo, os usuários, os principais interessados. Planos de escritório, de burocratas desinformados e despreparados. Rios de dinheiro gastos para nada, ou pior: para descontentar a população. A perda da General Osório marcou todos os garotos do bairro. Muitos anos depois, quando o Walter Clark dirigia a TV GLOBO e eu era Presidente do MOBRAL, almoçávamos com o Boni, no Restaurante Panelão, no Leblon, e comentamos aquele episódio. Ele o sentira exatamente como eu. O interessante é que essa grande frustração me inspirou, no MOBRAL, para a adoção de uma metodologia de consulta à população antes da intervenção governamental - presumivelmente sempre em seu favor e que nem sempre o é, pelo desconhecimento das autoridades em relação às realidades locais. Quem conhece a comunidade é quem mora nela – base lógica do chamado planejamento participativo, assentado nas aspirações e opiniões das populações residentes. No MOBRAL, o povo passou a participar e ter a palavra decisiva nos seus planos a nível municipal, a partir do PRODAC – Programa de Desenvolvimento e Ação Comunitária. Mas na Praça General Osório a garotada não teve vez. De qualquer modo, só de lembrar que meus pais se conheceram em frente ao chafariz de pedra que evocava as fontes das suas aldeias de origem e que ainda lá está, só isso dá idéia da magia da Praça para mim. 2.DIREITOS NEGADOS – Estarrecido, percebi através de dois noticiários diferentes que os agentes totalitários estão mais ativos do que nunca, vigiando a sociedade brasileira e atacando qualquer demonstração de exercício da liberdade que possa impedir sua marcha para a ditadura mais torpe. A manchete, apresentada como se retratasse um grande escândalo nacional, era mais ou menos assim: “Escolas particulares utilizam apostilas que não passaram pelo crivo do Ministério da Educação”. O que está subentendido nessa manchete é que o MEC deve censurar a educação recebida por nossos filhos na rede privada de ensino. Um absurdo total, uma visível preparação para que a população entenda como normal esse tipo odioso de censura. E nossas liberdades individuais e de nossas famílias, onde ficam? Claro que o material didático de nossas escolas não deveria mesmo receber a crítica de qualquer órgão governamental, pois os pais e a opinião pública são as instâncias legítimas para fazê-lo. Paradoxal que os meios de comunicação são unânimes em defender a liberdade de imprensa e repelir qualquer tentativa de censurá-la. Mas quando se trata de Educação, esses mesmos meios se omitem ou agem ao contrário. Hipocrisia, vergonha e totalitarismo !

terça-feira, 30 de março de 2010

VIAGEM DOCE AO CENTRO DO PASSADO

1. VIAGEM À CIDADE (DO RIO DE JANEIRO) – A ida ao Centro, lá pelos anos 40, era um acontecimento e tinha três tempos bem distintos: primeiro, a viagem de ida e volta, muito divertida e sempre com muitas novidades pelo caminho; depois, as compras, o que era geralmente enjoado para a criançada; ao final de tudo, a grande recompensa da aventura: o lanche ! Na Colombo ou na Manon, na Cavé ou na Lallet ou ainda o frapé de côco no Bar Simpatia, da Avenida Rio Branco. Uma delícia... Usávamos sempre o ônibus na ida à Cidade - era assim que chamávamos o Centro naquele tempo, aliás muito apropriadamente, porque Ipanema era apenas um arrabalde. Paradisíaco, mas arrabalde. O bonde era inviável, demorava muito, por causa das inúmeras paradas, sobrava pouco tempo para os afazeres. De ônibus eram 25 ou 30 minutos; de bonde, o dobro do tempo. Eu me lembro remotamente dos ônibus da Light, muito altos, com assentos de veludo vermelho, forrados por panos brancos. Mas os mais presentes na memória são o modesto 3, todo verdinho, e mais tarde o 12, o famoso Camões, esquisito, com uma reentrância na sua frente. Pelo caminho, havia muitas atrações. Ainda na Visconde Pirajá, na passagem pela Praça General Osório, tentar ver meu pai trabalhando e acenar para ele. Logo depois, dar adeus ao cinema Ipanema e ao meu Colégio Fontainha. Na Gomes Carneiro e Francisco de Sá, apreciar as novas construções e a abertura da futura rua entre Barão da Torre e Gomes Carneiro, a Antonio Parreiras, que ocupou o lugar de uma chácara maravilhosa, onde os sapotizeiros faziam a festa da garotada. Na Avenida N.S. de Copacabana, um monte de coisas interessantes, pois o bairro era muito mais adiantado que Ipanema. Cinemas Metro, Roxy, Ritz e Americano (um tremendo “poeira”); lojas Americanas, Banaflakes, Leco; praças (a do Lido era minha predileta, onde no Carnaval havia um baile infantil imperdível); o lindo Copacabana Palace. No Túnel Novo, no início, só havia uma pista, mas ao sair dele já se via o Campo do Botafogo. Mais adiante, à direita, o Hospício (depois a Reitoria da UFRJ) e logo adiante o Mourisco. O espetáculo noturno do Mourisco era um encantamento para a garotada, com aqueles anúncios móveis e coloridos de neon – especialmente a Água Salutaris caindo da garrafa para o copo e depois borbulhando. O anúncio do Vermute Cinzano era outro luminoso lindo. Ainda hoje, quando passo lá, já de noite, tenho saudades e lamento que o Rio tenha perdido aquele espetáculo que era uma de suas marcas registradas. Depois, vinha o Morro da Viúva e a casa da família Martinelli, misteriosa, com seu rendilhado de pura arte. A seguir, a Praia do Flamengo, uma estreita faixa de areia, encoberta quando o mar estava de ressaca e as ondas chegavam a atingir os ônibus que passavam na rua. Outro ponto alto estava logo adiante: eram os jardins da Glória, com os ficus metamorfoseados nos mais diferentes bichos - coelhos, elefantes, galinhas, girafas etc - obras de uma arte quase perdida, a topiaria, em que os jardineiros portugueses, maioria absoluta na PDF, eram mestres imbatíveis. Não sabem o que é PDF ? Mas estava em todas as placas: Prefeitura do Distrito Federal (PDF), o Rio de Janeiro era a Capital do Brasil ! Outra beleza dos jardins, digna de uma ida só para vê-las, eram as luzes coloridas, iluminando os inúmeros repuxos de vários formatos da Glória, em um espetáculo maravilhoso. O Palácio Monroe anunciava a chegada ao Centro. Ao fundo, a Torre da Mesbla e seu relógio balizavam o tempo disponível. No meu caso, de início tinha a visita à Tia Amélia, que era prima querida de minha mãe, pois ambas vieram juntas para o Brasil no mesmo navio, aos 18 anos de idade, saindo da mesma família, da mesma aldeia, com o mesmo destino de empregada doméstica em casas ricas do Rio de Janeiro. E agora, bem sucedidas, ambas tinham negócio próprio: a pensão da minha mãe era em Ipanema; a da Tia Amélia na Rua Santa Luzia, num sobrado em que ela também morava, com o marido, Manoel Ferreira, empregado da MESBLA, e sua filha Lurdes, com quem eu ficava brincando enquanto minha mãe matava as saudades e contava e ouvia as novidades na conversa com a prima. Eu gostava de ir à Rua Santa Luzia porque vários de seus sobrados abrigavam no andar térreo as garagens, sempre abertas, dos barcos das regatas a remo. Eram vários clubes: Vasco da Gama, Boqueirão Passeio, Santa Luzia, Internacional de Regatas e até o São Cristóvão, porque sua garagem no Bairro Imperial, perto da Avenida Brasil, já tinha ficado muito longe do mar. Os treinos eram no Calabouço, em plena Baía de Guanabara. O Morro do Castelo ainda existia parcialmente ali perto e minha mãe ia, às vezes, a um médico de cuja sala de espera eu via o morro sendo demolido aos poucos. O problema é que depois da visita à Santa Luzia começavam as intermináveis compras. O comércio da Zona Sul ainda era incipiente, mesmo em Copacabana, mais adiantada que Ipanema e principalmente que o Leblon, este ainda um grande areal, com casas dispersas e uma florescente favela (a Praia do Pinto). Às vezes, éramos protagonistas das compras: hora de experimentar o “tanque colegial” na DNB ou outros sapatos na Scatamacchia, ou provar roupas na Torre Eiffel da Rua do Ouvidor. Cá entre nós, pior sorte tinham os pequenos fregueses enfatiotados pela loja Príncipe – que “veste hoje o homem de amanhã”. Provar roupas, expressão adequada para aquela “provação” sem fim. Uma coisa impressionante é que de mãos dadas com minha mãe, eu passava frequentemente pelo Largo de São Francisco e invariavelmente ela apontava para um prédio enorme, imponente e dizia: - alí se formam os engenheiros e você, quando crescer, vai estudar alí também. E não é que eu fui parar lá mesmo ! E por vontade própria... Minha mãe seria vidente ? Quando ela declarava, finalmente, que as compras do dia estavam encerradas, aí começava o paraíso. Era a hora do lanche, o prêmio esperado após o sacrifício daquela andação toda. A confeitaria escolhida para o evento dependia geralmente do lugar onde as compras eram encerradas. As antigas confeitarias do Rio foram o refrigério da infância obrigada a acompanhar as mães nas compras, que variavam entre quinzenais ou mensais. A Casa Cavé completou 150 anos. A Manon, concorrente relativamente nova, só tem 70 anos de idade. Outra opção era a belíssima Confeitaria Colombo, ainda hoje um patrimônio maravilhoso de nossa Cidade, assim como a Lallet, outra que gozava de nossa preferência. Para ela e a Cavé, o gozador Emílio de Menezes, para acabar com as brigas dos proprietários, escreveu uma faixa de frente e verso com os seguintes dizeres: “Quem vem de cá vê e quem vem de lá lê”. Torradas de Petrópolis, chocolate, bolinhos diversos, coxinhas de galinha divinas, pastéis de nata, travesseiros de amêndoas, bolos-rei, pudins e refrescos diversos faziam a delícia daquelas tardes memoráveis. Um privilégio de quem foi criança no meu tempo ! Depois, já satisfeitos, era pegar os muitos embrulhos das compras e voltar para Ipanema. E quando o ônibus chegava à esquina da Rua Princesa Isabel com Nossa Senhora de Copacabana, nos dias de verão, gozar o frescor que vinha da praia e era o nosso ar refrigerado natural, um prazer que só a passagem pela porta do Metro Copacabana era capaz de imitar.
2.ENCONTRO DO MOBRAL COM UNESCO - Acabo de achar no GOOGLE um estudo antigo sobre o MOBRAL, realizado em meados da década dos 70 por uma missão da UNESCO. O longo estudo, elaborado quando eu era Presidente do MOBRAL, concluía que a instituição era um exemplo de sucesso a ser seguido em todo mundo. Foi a partir dessa avaliação que o MOBRAL passou a dar assistência técnica em Alfabetização e Educação Continuada a vários países (23 mais precisamente).. Os que tiverem curiosidade, pesquisem no GOOGLE “La experiencia brasileña de alfabetización de adultos - el MOBRAL” - Estudio preparado por la Oficina Regional de Educación de la Unesco para América Latina y el Caribe. Coincidência feliz ter achado esse documento às vésperas de mais um Encontro das pessoas que trabalharam na instituição e gostam de reencontrar seus antigos colegas e matar as saudades.
3.ANÃO DO ORÇAMENTO INCONSTITUCIONAL - Ibsen Pinheiro, anão do Orçamento, quer dar ao Rio um Orçamento anão, rasgando a Lei Magna e usurpando a compensação a que temos direito, pelo petróleo que produzimos. Será que a Branca de Neve vai deixar ?